quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Primeira Revolução Industrial

A economia mundial do Antigo Régime (séc. XV a XVIII), antes da Revolução Industrial, era marcada pela sua precariedade. Crescia a um ritmo muito reduzido, devido à baixa produtividade. Isto deve-se aos obstáculos na mobilidade. Os fatores de produção (terra, trabalho e capital) eram de difícil acesso, graças às desigualdades, o preço dos mesmos e a legislação repressiva. O setor primário pouco lucrativo dominava. Os mercados nacionais, que eram provincianos e fragmentados, eram defendidos com leis protecionistas.

O crescimento moderno, caracterizado por Kuznets, começou após a Revolução Industrial (séc. XVIII) e é o oposto do anterior. Os avanços tecnológicos refletiram-se num crescimento muito acelerado da produtividade e, por sua vez, do PIB mundial.  O setor primário perdeu peso para o secundário e surgiu o terciário. Os países começaram a produzir para exportar e o mercado internacional tornou-se mais coeso. O liberalismo ascendeu e os Estados tornaram-se laicos, abrindo caminho para a ciência.

O aumento da produtividade foi a principal razão do desenvolvimento económico e social. Os avanços científicos permitiram um maior proveito das matérias-primas, aumentando os outputs e reduzindo os inputs. Houve aposta na educação, para que o aumento da formação dos trabalhadores se traduzisse numa maior produtividade. O capital foi alocado na construção de infraestruturas, com melhorias económicas e sociais. A energia tornou-se essencial, impulsionando avanços na forma como é capturada e armazenada. As fábricas passaram a ser iluminadas, permitindo o trabalho noturno. A automação reduziu a necessidade de mão-de-obra e aumentou a produção.

Antes da Revolução Industrial, a China e a Índia dominavam a produção mundial, produzindo a maioria dos bens. Depois das transformações, a sua quota tornou-se muito reduzida, sendo três quartos da produção oriunda dos Estados Unidos e da Europa. As razões desta queda foi o excesso de mão-de-obra, que era muito barata, a falta de capital para investir na industrialização e o colonialismo.

Esta transformação mundial teve origem no Reino Unido por diversos fatores: era o país mais urbanizado, o que fazia aumentar a procura por mão-de-obra e assim elevar os salários, o crescimento das suas cidades e dos salários fez aumentar a procura por alimentos, a lenha era cara e por isso havia desenvolvido o mercado do carvão mineral, que era abundante e barato, os salários eram altos e a população era alfabetizada, era uma potência colonial e o Estado assegurava a propriedade privada.

Robert Allen sintetizou estas razões em 3: o aumento da procura dos mercados interno e externo, os salários elevados e o carvão barato.

A revolução trouxe consigo dois fenómenos nunca antes observados: o maior aumento do rendimento per capita até à altura e um crescimento per capita sustentado.

O maior crescimento do rendimento deu-se pelos avanços na agricultura (fim do pousio, arado de ferro), na indústria (nova energia, máquina a vapor, teares mecânicos, nova refinação do aço) e nos transportes (estradas, comboio e navio a vapor) e pelo aparecimento da fábrica, local com produção motorizada e regular com gestão especializada.

O sucesso da revolução despoletou reações dos outros países. Estes tornaram os mercados internos mais coesões, através da aposta nas infraestruturas e da eliminação de barreiras institucionais à circulação de pessoas e bens. Para se protegerem da concorrência britânica, criaram-se leis protecionistas. Desenvolveram-se sistemas financeiros capazes de financiar a economia e estabilizar a moeda. Houve criaram de redes de ensino em massa.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Princípios de macroeconomia

Extraído e parcialmente adaptado dos Powerpoints da prof. d. Conceição Pereira, da FEUC. Capítulo 1 - Nível de vida  Macroeconomiaé o estudo...