Ato I - Cena I (Monólogo de Madalena)
O espaço onde decorre o Ato I é colorido, iluminado pela luz que entra por amplas janelas viradas para o Tejo e luxuosamente decorado. Tem duas portas de comunicação que permitem a ligação com o exterior.
Contribui para caracterizar as personagens que aí se movimentam pois, simbolicamente, é um espaço amplo, de liberdade e felicidade (a desgraça ainda não se abateu sobre esta família).
Está presente um retrato de grande importância na sala, o de Manuel, marido de Madalena.
Este espaço permite concluir que se trata da casa de uma família com um elevado estatuto social e económico, um espaço social ligado à nobreza.
Nesta cena, Madalena encontra-se sozinha, enquanto lê a passagem de Inês de Castro n'Os Lusíadas. Madelana compara-se a Inês. Ambas partilham a experiência de um grande amor, porém Inês teve paz e alegria, ao passo que Madalena vive em constante desassossego.
O “este medo” e os “contínuos terrores” que a perseguem (note-se a gradação crescente) não lhe permitiram, ainda que vivesse, usufruir da felicidade que o seu amor lhe poderia proporcionar, levando-a, no final da cena, a desabafar esse conflito interior pelo uso da antítese: «...que felicidade…que desgraça a minha!».
O caráter trágico do episódio de Inês de castro, determinado pelo destino (fortuna), constitui o primeiro indício de que ação se encaminhará inevitavelmente para a catástrofe.
Madalena sente-se predestinada à morte, tal como Inês: «Viveu-se, pode-se morrer».
Assim, Madalena surge em cena duplamente marcada pelo destino:
- pelo simbolismo do espisódio de Inês de Castro;
- pelo prenúncio de um sebastianismo que só lhe poderá ser adverso.
O facto de Garrett ter colocado Madalena a ler Os Lusíadas propicia a segunda fala de Telmo (cena II), que considera este livro «como não há outro, tirante o respeito devido ao da palavra de Deus», que não conhece por não saber latim como o seu «senhor».
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