A organização do espaço está diretamente relacionada com o transporte. Este também influencia todas as atividades económicas e sociais do Homem.
Os transportes facilitam a mobilidade da população, estruturam o espaço urbano, intensificam as trocas comerciais, distribuem espacialmente as diversas atividades, criam empregos e serviços especializados e terminam com o isolamento das populações.
Há três conceitos diferentes de deslocação no espaço: distância absoluta, distância-tempo e distância-custo.
- Distância absoluta ⇨ Distância real entre dois lugares. Exprime-se em unidades de distância.
- Distância-tempo ⇨ Tempo necessário para percorrer a distância, utilizando um determinado tipo de transporte. Exprime-se em unidades de tempo.
- Distância-custo ⇨ Preço da deslocação entre dois lugares, utilizando um determinado tipo de transporte. Exprime-se em unidades monetárias.
Noções importantes:
- Isócronas ⇨ Linhas que unem pontos de igual distância-tempo.
- Isótipas ⇨ Linhas que unem pontos de igual distância-custo.
Modos de transporte
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Terrestres Aéreos Aquáticos
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Ferroviários Marítimos
Rodoviários Fluviais
Condutas
A utilização de cada um destes modos depende da conjugação de vários fatores, como a natureza do transporte, a acessibilidade dos locais, a distância-tempo e a distância-custo.
A distância-custo oscila consoante a distância a ser percorrida, a morfologia da superfície, a natureza e o volume da mercadoria e o tipo de transporte.
Em percursos até os 150 quilómetros, o transporte mais económico é o rodoviário, com baixos custos iniciais de manutenção. Porém, passado esse limite, as despesas tornam-se exorbitantes, entregando o testemunho de meio de transporte mais vantajoso ao ferroviário, que, por sua vez, depois dos 600 quilómetros, é substituído pelo aquático. Os meios aéreos são sempre os mais dispendiosos.
O modo de transporte rodoviário é o mais utilizado, visto que é o mais adequado para viagens de curta distância, as viagens mais comummente feitas pela população. Dispõe de elevada mobilidade e não necessita de transbordo. A sua manutenção é fácil e possui flexibilidade de horário. Por outro lado, está dependente dos condicionamentos do tráfego, registra grande sinistralidade, é poluente e ocupa acentuadamente o espaço de circulação.
O modo ferroviário padece de grande capacidade de carga e de passageiros, utiliza pouca energia por unidade transportada, requer baixos custos unitários, baixa sinistralidade e elevada velocidade. Como pontos negativos tem itinerários fixos e horários rígidos. Possui uma difícil interação com outros transportes e necessidade de transbordo. Em termos monetários, a sua manutenção e a construção de infraestruturas são caras.
Já o transporte fluvial é bastante parecido como o ferroviário supramencionado, porém é lento e é afetado pelo caudal e regime dos rios.
O transporte marítimo é fundamental nas trocas comerciais desde os Descobrimentos. Atualmente, assegura cerca de 75% do comércio mundial. É o mais adequado para transportar Tem baixo consumo de energia por unidade transportada tal como baixos custos unitários e possui baixa sinistralidade. Em contrapartida, é um trasporte lento que necessita de trasbordo de passageiros e cargas. É afetado pelas más condições metereológicas. Em termos monetários, a sua manutenção e a construção de infraestruturas são caras.
O transporte aéreo é o mais caro. É apenas usado para o transporte de passageiros e mercadorias urgentes, produtos muito perecíveis ou de alto valor. É rápido e confortável. Todavia, é muito afetado pelas cobdições metereológicas, necessita de transbordo de passageiros e cargas, a sua manutenção e a construção de infraestruturas são caras, polui incessantemente, consume imenso combustível e prescinde de capacidade de carga.
Por fim, as condutas, combinadas com os transportes aquáticos e rodoviários, são o modo mais adequado de transportar líquidos e gases. São caracterizadas pelo elevado grau de segurança, não estão sujeitas a condições metereológicas, permitem uma regularidade no abastecimente, poluem reduzidamente e têm reduzidos custos de transporte, não obstante a sua manutenção e a construção de infraestruturas serem caras, estarem sujeitas a ataques em zonas instáveis e necessitarem de transbordo.
Em Portugal e em quase toda a Europa, o transporte rodoviário domina, pois tem itinerários flexiveis e há grande diversidade de veículos.
Existe complementaridade entre modos de transporte, formando assim o transporte intermodal ou multimodal. Associa as vantagens e ultrapassa inconviniências, contribuindo para deslocações mais rápidas e baratas.
Denominam-se interfaces os pontos de articulação de diferentes modos de transporte.
Os conjuntos de vias de transporte (estradas, rios, caminhos-de-ferro, condutas,...), que ao se interligarem formam uma malha, constituem redes de transporte, fundamentais para a gestão do território.
É possível calcular o grau de acessibilidade (facilidade de acesso a um determinado local) em qualquer rede através de uma matriz de acessibilidade, que consiste num registo que contabiliza as ligações diretas entre lugares.
A distribuição (e densidade) das redes de transportes a nível mundial contrasta entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento.
Redes de transportes em Portugal
Em Portugal, a rede rodoviária surgiu devido aos romanos. A rede viária romana manteve-se em funcionamento durante toda a Idade Média. Foi só no século XIX que sofreu a primeira modernização.
Em 1927, foi criada a Junta Autónoma das Estradas, responsável pela construção e manutenção da rede.
O primeiro Plano Rodoviário Nacional (PRN) deu-se em 1945. Este definia as normas técnicas para a construção de vias, resultando em resultados muito positivos. As estradas foram hierarquizadas em três classes (estradas nacionais, estradas municipais e caminhos públicos), cada uma com funções e características próprias.
A adesão do país à CEE trouxe consigo um período de forte investimento. Foi dinamizado um novo PRN para resolver os constrangimentos herdados na reformulação de 1945, sendo estes:
- Excessiva importância da rede de estradas nacionais;
- Problemas financeiros da JAE;
- Vias tecnologicamente desatualizadas;
- Falta de mecanismo central para a correta estruturação do território.
Foi definida uma nova hierarquia de vias, composta pela Rede Nacional Fundamental e pela Rede Nacional Complementar, que se ramifica em autoestradas, vias rápidas e outras estradas. Assim, milhares de quilómetros de estradas nacionais integradas na rede municipal foram desclassificadas.
Houve um novo RDN em 2000, onde a hierarquia foi reestruturada. Agora divide-se em Rede Nacional de Autoestradas, Rede Fundamental, composta por autoestradas, vias rápidas e estradas nacionais, e Rede Complementar, ramificada em Estradas Nacionais, Estradas Regionais e Estradas Municipais.
Em Portugal, a rede ferroviária surgiu no século XIX, tendo sido consolidada no século posterior. Na decada de setenta, inicia-se o processo de encerramento da exploração ou de abate a alguns troços devido à concorrência doutros transportes e à alteração da estrutura produtiva do país.
A rede encontra-se pouco modernizada e dispõe duma fraca ligação ferroviária à Europa, para além de protelar a adequação das suas linhas às de Espanha, bem como a construção da ferrovia de alta velocidade.
Não existe rede de transportes fluviais em Portugal. Não h+a rios com capacidade de navegação apreciável. O assoreamento é acentuado e há uma miríade de barragens para aproveitamento hidroelétrico.
Já a rede de transportes marítimos portuguesa localiza-se numa posição central, relativamente ao Atlântico, vantajosa para os serviços de transhipment, transbordo de mercadorias entre navios.
Os portos nacionais são de reduzidas dimensões, escassa especialização e obsoletos.
A rede aérea nacional é constituída por aeroportos, aeródromos e heliportos. É essencial para a coesão das regiões autónomas. Está ligada às principais rotas europeias e americanas. Tem também um papel importante de ligação a África.
Política Comum de Transportes
Instituída em 1957, a Política Comum de Transportes foi criada para resolver assimetrias geográficas ao nível das infraestruturas e das empresas de transportes, congestionamentes de vários eixos, disparidades no crescimento dos diferentes modos de transporte, dominado pelo rodoviário, o aumento da dependência do setor face ao petróleo e o aumento dos custos económicos e do impacto ambiental.
O PCT é a base jurídica das redes transeuropeias (RTE) em três setores: RTE-Transporte, RTE-Energia e RTE-Telecomunicação
A RTE-Transporte abrange o transporte rodoviário e conbinado, as vias navegáveis e os portos marítimos e a rede ferroviária europeia de alta velocidade. Esta inclui sistemas inteligentes de gestão dos transportes e o Galileu, o sistema de radionavegação por satélite europeu.
Tem como objetivos regular a concorrência entre modos de transporte, reforçar o investimento na rede ferroviária, controlar o crescimento do transporte aéreo, desenvolver as autoestradas do mar, criar serviços inovador e harmonizar questões técnicas.
A RTE-Energia abrange os setores da eletricidade e do gás natural e visa a criação dum mercado único de energia e a segurança dos aprovisionamentos.
Pretende garantir a segurança no abastecimento, promover o bom funcionamento do mercado interno de energia, aumentar a eficiência energética e a moderação do consumo, promover a investigação e a inovação. descarbonizar a produção e o consumo de energia e criar um sistema de gestão inteligente em toda a UE para partilhar e aproveitar com maior eficiência as potencialidades de cada país e região, reduzindo constrangimentos.
A RTE-Telecomunicação engloba o desenvolvimento de serviços eletrónicos baseados nas redes de telecomunicações.
Em Portugal, 85% do trafego transeuropeu de passageiros é feito por via aérea. A via marítima domina o volume de mercadorias transportado, enquanto que a via rodoviária domina o valor.
A posição geográfica nacional condiciona a ligação do país às redes transeuropeias.
Impactos das redes de transporte no espaço
As redes influenciam a organização e a distribuição da população e das atividades económicas. Uma rede de transportes equilibrada conduz ao desenvolvimento harmonioso do espaço.
Estas influenciam a organização do espaço. Esta premissa pode ser confirmada sobretudo na forma como as áreas urbanas se expandem ao longo dos principais eixos rodoviários e ferroviários e a partit de nós de ligação de transportes.
As redes também valorizam solo e intensificam o seu uso.
A construção de redes de transportes tem consequências ambientais e sociais:
- Há uma grande ocupação do solo;
- São destruídas vastas áreas agrícolas e florestais;
- Ocorre uma degradação dos recursos hídricos
- Polui-se a atmosfera.
A revolução das telecomunicações e o seu impacto territorial
O desenvolvimento das telecomunicações adquiriu uma notável importância após a década de setenta.
A progressiva velocidade de comunicação de informação acelerou a vida dos povos. Atualmente, a transimissão da informação é quase instantânea. A distância-tempo praticamente desapareceu e a distância-custo tornou-se cada vez menor.
O ciberespaço - espaço virtual onde se desenvolve uma crescente interação entre pessoas, empresas e organizações - assume um papel fundamental nas atividades económicas e nas relações interterritoriais.
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) tornaram-se um fator de desenvolvimento económico e social, um mecanismo de integração e de diminuição das assimetrias e um indicador de desenvolvimento das regiões e/ou países.
Há uma relação direta entre o desenvolvimento tecnológico e a capacidade duma sociedade der capaz de gerar riqueza, o que acaba por criar condições para que surja um novo desenvolvimento tecnológico.
Os países com maiores privações em termos de desenvolvimento estão mais atrasados em termos tecnológicos e apresentam redes de comunicação menos densas no ciberespaço.
Os países tecnologicamente menos desenvolvidos apresentam grandes dificuldades em aceder a um conjunto de mudanças, o que condiciona fortemente o seu processo de desenvolvimento. É difícil alavancar e sair deste cíclo.
Os sistemas de receção/transmissão (telefone, fax, telemóvel, computador,...), ligados pelos suportes da comunicação (cabos de cobre, cabros de fibra ótica, ondas eletromagnéticas terrestres e espaciais,...), formam redes.
A proliferação de satélites permitiu ultrapassar as limitações das comunicações terrstres, como a topografia, as condições atmosféricas, o volume dos fluxos de informação e a cartografia precisa e rigorosa de todas as áreas do planeta.
Consoante o desenvolvimento das tecnologias, os seus custos estão cada vez mais diminutos, aumentando o acesso no mercado. Esta democratização e generalização do aceeso à tecnologia impulsionou o desenvolvimento tecnológico incessante, que originou um crescimento explosivo de usuários, que, por sua vez, possibilitou o comercio eletrónico e do teletrabalho.
Comércio eletrónico
Para empresas, o comércio virtual é benéfico no fornecimento de informação, receção de encomendas e demonstrações dos produtos durante 24 horas por dia, na redução de custos no lançamento de novos produtos, na facilidade de conhecimento das preferências e opiniões dos consumidores e no mercado potencial ilimitado.
Já para os clientes, há um acesso imediato à informação sobre a empresa e os seus produtos e serviços, há a possibilidade de consulta a qualquer momento, há comodidade no processo de compra e grande variedade de oferta, bem como preços mais baixos e competitivos devido à elevada concorrência e exposição.
Por outro lado, a empresa perde o contacto com o cliente, os consumidores não confiam na escolha virtual de bens alimentares frescos, a ausência de contacto direto entre empresa e consumidor pode prejudicar a negociação, a informação do produto na Internet facilita a sua cópia e a competição deixa de ser local e torna-se mundial.
No ponto de vista dos clientes, é mais reduzida capacidade de inspecionar e apreciar os produtos pode haver constrangimentos ao enviar dados confidenciais para efetuar as suas compras, não existe uma estrutura legal a nível mundial e a prestação de serviços e a sua qualidade difere de empresa para empresa.
Teletrabalho
Chama-se teletrabalho ao trabalho realizado recorrendo a equipamentos que permitem mobilidade na sua execução.
Para que este se concretize, exige-se um projeto, um estudo dos processos de funcionamento da empresa, a identificação dos "teletrabalhadores", a seleção adequada do funcionário, software e treino dos gestores e funcionários.
O teletrabalho faz reduzir os custos das empresas com instalações e equipamentos, reduz o desgaste com a deslocação dos trabalhadores, originando mais tempo livre e melhor qualidade de vida e reduz a poluição e os congestionamentos das cidades.
No entranto, reduz o controlo sobre os trabalhadores, fomenta o isolamento social, dificulta a separação da vida profissional e pessoal, reduz os vínculos com a empresa e leva ao desleixe social e pessoal dos funcionários.