Extraído e parcialmente adaptado dos Powerpoints da prof. d. Conceição Pereira, da FEUC.
Capítulo 1 - Nível de vida
Macroeconomiaé o estudo do comportamento da economia como um todo, sem entrar em muitos detalhes sobre os produtos e setores específicos, que são objeto de estudo da microeconomia. Estuda o comportamento de agregados económicos a nível de toda a economia, como o produto total da economia, e o nível geral de preços.
Escolas de pensamento
- Escola Austríaca: fundada em 1871 com a publicação do livro ‘Princípios de Economia’ de Carl Menger. Defende o livre funcionamento dos mercados, propriedade privada, direitos de propriedade e escolha individidual. A lógica da escolha, da tomada de decisões, é o elemento essencial para o desenvolvimento de uma teoria económica universalmente válida.
- Escola Keynesiana: o elevado desemprego da Grande Depressão dos anos 1930 criou condições para a aceitação das ideias de Jonh Keynes, que questionou a ideia que o livre funcionamento dos mercados permite sempre alcançar o equilíbrio. Defende que, frequentemente, os recursos são sub-utilizados devido à insuficiência da procura, sendo assim possível numa recessão aumentar o emprego e o produto através de políticas orçamentais que estimulem a procura agregada.
- Monetarismo: no longo prazo, um aumento da oferta de moeda não tem qualquer efeito sobre as variáveis reais (neutralidade da moeda), tais como o produto, o consumo ou os preços relativos, mas no curto prazo esta neutralidade pode não existir. Um dos principais nomes da escola monetarista foi Milton Friedman. Ganhou popularidade na década de 1980, quando os decisores de política centraram-se no controlo do crescimento da massa monetária.
A objetivo da macroeconomia é perceber o nível e a evolução do bem-estar da sociedade.
Pode-se medir a qualidade de vida utilizando indicadores como o nível de escolaridade e a esperança média de vida. Os países com níveis de vida/rendimento nacional mais elevado têm mais e melhor educação, melhor estado de saúde, melhor habitação,... Esta premissa fundamenta a medidação do produto interno bruto, já que o rendimento gerado é utilizado para comprar bens e serviços que satisfazem as necessidades da população.
PIB é valor da produção de bens e serviços finais realizada num dado território económico ao longo de um determinado período. Pode ser medido segundo as óticas da produção, da despesa e do rendimento.
Ótica da produção
O PIB não pode ser obtido pela soma das produções das diferentes unidades produtivas, pois a produção de algumas delas vai servir de input a outras. Se o produto fosse assim obtido incorrer-se-ia na chamada dupla contabilização, que consiste em considerar múltiplas vezes o valor dos bens e serviços intermédios. Deve-se então considerar apenas o valor acrescentado por cada unidade produtiva, que corresponde à diferença entre o valor da produção e o valor dos consumos intermédios. O PIB é obtido pela adição dos valores acrescentados por todos os produtores/empresas, que medem a contribuição de cada um para a produção total da economia.
PIB = VAB + ISP –SP
VAB: Valor acrescentado bruto
ISP: Impostos sobre a produção
SP: Subsídios sobre a produção
Ótica da despesa
O PIB pode ser medido como a soma das despesas realizadas na aquisição dos bens e serviços finais produzidos. O produto é adquirido a título de despesa de consumo final, investimento ou formação bruta de capital ou exportações.
DCF = C + G
C: Consumo privado
G: Consumo público
PIB = C + G + I + Ex – Im
Oferta Interna: produção interna que pode ser adquirida por residentes e não
residentes (PIB)
Oferta Externa: produção externa que é adquirida por residentes (Im)
Oferta Global = Oferta interna + Oferta externa
Procura Interna: despesa feita por residentes em produção interna ou externa (C +G + I)
Procura Externa: despesa feita por não residentes em produção interna (Ex)
Procura Global: Procura interna + Procura externa
Ótica do rendimento
O PIB também pode ser medido como a soma dos rendimentos gerados na produção de bens e serviços.
Categorias de rendimentos:
- Remunerações dos empregados;
- Excedente de exploração (sobretudo lucros das empresas) e Rendimento misto (rendimento de empresas em nome individual ou outros negócios em que não é claro que parte dos rendimentos corresponde a salários e que parte corresponde a lucros);
- Impostos líquidos de subsídios sobre a produção e a importação.
PIB = Rem.Emp. + EBE/RM + ILSProdImp
O Rendimento Nacional Bruto (rendimento recebido pelos residentes num país) difere do PIB (rendimento gerado na produção realizada no interior de um país) porque considera o rendimento de residentes resultante de produção que decorre no exterior de que são proprietários, ou de trabalho realizado por residentes para não residentes (rendimentos primários recebidos do resto do mundo) e não considera o rendimento de não residentes resultante de produção que decorre no país de que são proprietários, ou de trabalho realizado por não residentes para residentes (rendimentos primários pagos ao resto do mundo).
RNB = PIB + Rendimentos primários recebidos do resto do mundo – Rendimentos primários pagos ao resto do mundo
Limitações do PIB como medida de bem-estar:
- Só abrange bens e serviços transacionados no mercado (não considera serviços produzidos pelas famílias para seu próprio uso, como por ex. preparação de refeições, apoio a crianças e a idosos no seio da família, e o trabalho voluntário);
- Não considera o valor do lazer;
- Não considera os custos ambientais dos acréscimos de produto;
- Trata-se de uma média (visão agregada): indiferença quanto à distribuição do rendimento (desigualdades).
PIB Nominal (PIBn) do período t: produção realizada no período t avaliada a preços desse mesmo período t, ou seja, a preços correntes.
PIB Real (PIBr) do período t: produção realizada no período t avaliada a preços de um mesmo período de referência/base, ou seja, a preços constantes.
O deflator do PIB é uma medida do nível geral de preços, calculada como o rácio entre o PIB nominal e o PIB real. Dá informação sobre a variação do PIB nominal que resulta de uma variação dos preços e não de uma variação das quantidades produzidas.
Índice de preços implícitos no PIB (IPI) = deflator ×100
Para converter PIB nominal em real (deflacionar): PIBn / Defl
Taxa de variação do crescimento nominal (tcn) = (PIBn ano t / PIBn ano t-1) - 1
Taxa de variação do crescimento real (tcr) = (PIBr ano t / PIBr ano t-1) - 1
Taxa de variação do crescimento dos preços (tcp) = (IPI ano t / IPI ano t-1) - 1
O custo de vida refere-se à quantidade de dinheiro que as pessoas necessitam para manter determinados padrões de vida em termos dos bens e serviços que conseguem comprar.
Inflação é o termo utilizado para descrever uma situação em que o nível geral de preços da economia está a aumentar. A taxa de inflação é a variação percentual do nível de preços em relação ao período anterior.
O índice de preços no consumidor mede o custo global dos bens e serviços adquiridos por um consumidor típico. É utilizado para monitorizar as alterações do custo de vida ao longo do tempo. Quando o IPC aumenta, a família típica tem de gastar mais dinheiro para manter o mesmo nível de vida.
As 5 etapas do cálculo do IPC e taxa de inflação
- Definir o cabaz típico de consumo para saber que preços são mais importantes para o consumidor típico;
- Identificar os preços dos diferentes bens e serviços que compõem o cabaz típico de consumo, em cada período;
- Calcular o custo do cabaz típico de consumo em cada período;
- Escolher um ano base (termo de comparação) e calcular o índice de preços como o rácio entre o custo do cabaz típico de consumo em cada período e o custo do cabaz típico de consumo no ano base;
- Calcular a taxa de inflação como a taxa de variação do índice de preços de um determinado período relativamente ao período anterior.
O IPCé uma boa medida do preço médio dos bens e serviços que compõem o cabaz típico de consumo, mas não é uma medida perfeita do custo de vida. Há três questões fundamentais que levam o IPC a sobreavaliar o verdadeiro custo de vida:
- O cabaz não se altera para refletir a reação dos consumidores a alterações nos preços relativos. Os consumidores substituem os bens que se tornaram relativamente mais caros. O índice sobrevalia o aumento do custo de vida por não considerar a substituição por parte do consumidor;
- O cabaz não reflete a evolução do poder de compra resultante da introdução de novos produtos;
- Se a qualidade de um bem aumenta (diminui) de um ano para o outro, o valor de um euro aumenta (diminui), mesmo que o preço do bem se mantenha inalterado.
Duas importantes diferenças entre o IPI e o IPC podem provocar divergências em termos da informação obtida a partir de cada um sobre a evolução do nível geral de preços:
- O IPI no PIB reflete os preços de todos os bens e serviços produzidos no território económico nacional, enquanto o IPC reflete os preços de todos os bens e serviços adquiridos pelos consumidores da economia nacional, incluindo bens importados;
- O IPC compara o preço de um cabaz fixo de bens e serviços com o preço do cabaz no ano de referência/base, enquanto o IPI no PIB compara o preço dos bens e serviços produzidos em cada período com o preço dos mesmos bens e serviços no ano de referência.
Correção dos efeitos da inflação sobre algumas variáveis económicas
Taxa de crescimento do salário real = (1 + tx.c.SN)/(1 + tx.c.IPC) - 1
Indexação: quando um determinado montante monetário (salário nominal, preço,...) é ajustado automaticamente em função da inflação, por lei ou por contrato.
Taxas de juro
Os juros representam um pagamento no futuro por uma transferência de dinheiro no passado.
A taxa de juro nominal é a taxa de juro normalmente apresentada e não está corrigida pela inflação.
A taxa de juro real é a taxa de juro nominal corrigida dos efeitos da inflação.
Taxa de juro real = (1 + tx. juro real)/(1 + tx. inflação) - 1
Capítulo 2 - Crescimento económico
Crescimento económico é o comportamento a longo prazo da produção.
O nível de vida/bem-estar dos cidadãos de um país depende da sua capacidade de produzir bens e serviços.
O crescimento vai acumulando ao longo do tempo:
Yt = (1 + g)t Y0
Y: PIB
G: Growth
Regra dos 70: número de anos necessários para que uma variável duplique de valor para dada taxa média de crescimento. Ao dividir-se 70 pelo crescimento da economia (g) encontra-se, arredondado, o número de anos precisos para duplicar o PIB.
Um país precisa de alcançar um crescimento sustentado para registar melhorias consideráveis no nível de vida.
Fontes imediatas de crescimento económico: aumento da quantidade disponível de recursos/fatores de produção (capitalfísico, humano e recursos naturais) e conhecimento tecnológico.
Outros fatores que influenciam a criação de produto:
- Grau de abertura;
- Instituições, como a facilidade de fazer negócios e a forma como a corrupção é minimizada;
- Fatores geográficos, como a dotação de recursos naturais e o clima.
Modelo de crescimento de Solow
Este modelo explica o nível e a taxa de crescimento do produto (per capita/por trabalhador) no longo prazo tendo por base a acumulação de capital físico.
Será que um país pode crescer de forma sustentada/persistente através apenas acumulação de capital físico? Este modelo prova que não.
O PIB de qualquer país pode ser considerado como uma extensão da função de produção de uma empresa, em que o nível de produção depende dos fatores de produção utilizados: Produto (PIB) = Y, A = produtividade/tecnologia, K = capital e L = trabalho.
Função de produção agregada: Y = AF(K, L)
Produtividade/tecnologia constante e igual a um: A=1 => Y = F(K, L)
Função de produção do tipo Cobb-Douglas: Y = K^α L^(1-α) com 0<α <1
Rendimentos constantes à escala: F(λK, λL)=(λK)^α (λL)^(1-α) = λ^(α+ 1- α) K^αL^(1-α) =λY
Produtividade marginal do capital (e do trabalho) positiva mas decrescente: F′(𝐾)=𝛼𝐾^(𝛼−1)𝐿^(1−𝛼)>0 𝑒 𝐹′′(𝐾)=−𝛼(1−𝛼)𝐾^(𝛼−2)𝐿^(1−𝛼)<0
Produto por trabalhador (𝑦):
y=f(k) graficamente:
Existe apenas um valor do stock de capital por trabalhador, k*, para o qual o investimento é igual à depreciação do stock de capital: (I/L)*= δk* <=> sf(k*)= δk*
Para k* o stock de capital e logo o produto por trabalhador não se alteram, ou seja, tudo o resto invariante permanecem constantes/estáveis ao longo do tempo. Uma economia na situação de equilíbrio de estado estacionário vai permanecer nesse equilíbrio se nada mais se alterar.
Uma economia que não se encontre na situação de equilíbrio de estado estacionário, por exemplo disponha inicialmente de k1, vai sempre convergir para essa situação. Isto acontece qualquer que seja o valor inicial do stock de capital por trabalhador, devido à hipótese de produtividade marginal decrescente.
Fontes ou causas de crescimento económico:
- Aumento da taxa de poupança: s’ > s
- A curva do investimento por trabalhador desloca-se para cima, para (I/L)’: para cada valor do stock de capital por trabalhador a poupança aumenta e logo o investimento é também superior.
- No equilíbrio de estado estacionário inicial, para o stock de capital por trabalhador k* o investimento passa a ser superior à depreciação do stock de capital: s’f(k*)> δk*
- O stock de capital por trabalhador vai aumentar até a economia alcançar um novo equilíbrio de estado estacionário para k**>k* e y**>y*
Se a taxa de poupança for elevada, a economia terá um stock de capital e produto elevados no estado estacionário.
Devido à produtividade marginal decrescente, uma poupança mais elevada conduz a um crescimento mais rápido, mas apenas temporariamente, até a economia alcançar o novo equilíbrio de estado estacionário, quando deixa de crescer.
Outras influências
- Aumento (redução) da taxa de depreciação: Reduz (aumenta) o stock de capital e o produto por trabalhador no estado estacionário, mas o impacto sobre a taxa de crescimento é apenas temporário;
- Um aumento (redução) único da população/força de trabalho, reduz (aumenta) no imediato o stock de capital por trabalhador disponível e o produto por trabalhador, mas não altera o equilíbrio de estado estacionário;
- Um aumento continuado da população/força de trabalho significa que o stock de capital disponível tem de ser partilhado/distribuído por um número cada vez maior de trabalhadores, pelo que o investimento deve ser suficiente para compensar não apenas a depreciação do stock de capital mas também o crescimento da força de trabalho para evitar a sua diluição por um número crescente de trabalhadores, o que altera o equilíbrio de estado estacionário;
- A introdução de novas tecnologias que permitem produzir mais com a mesma quantidade de fatores de produção pode compensar os efeitos da produtividade marginal decrescente e conduzir a aumentos proporcionais da capacidade produtiva.
A teoria do crescimento endógeno é uma teoria do crescimento económico que considera que o mesmo é baseado na criação de conhecimento e desenvolvimento de tecnologias, ou seja, progresso tecnológico, que tornam as economias mais produtivas.
O progresso tecnológico responde aos incentivos (endógeno).
A inovação e a I&D são fontes importantes de progresso tecnológico que podem proporcionar às empresas vantagens competitivas em relação aos seus concorrentes.
Se a tecnologia é um bem público, não-rival, isto tem implicações para as políticas dos governos. Estas políticas públicas incluem a proteção dos direitos de propriedade, o incentivo ao investimento estrangeiro e a promoção da I&D.
O modelo de Solow pressupõe uma economia fechada. A poupança dos residentes não é a única forma de um país investir em novo capital.
Capítulo 3 - Desemprego
Taxa de desemprego (u) = Pop. desempregada / Pop. ativa *100
Taxa de desemprego é a percentagem da população ativa que procura mas não consegue arranjar emprego.
População ativa é o conjunto de indivíduos com idade para trabalhar, que estão a trabalhar (empregados) ou à procura de trabalho de forma ativa (desempregados).
População não ativa é o conjunto de indivíduos com idade para trabalhar que não estão empregados ou desempregados, devido a razões como o facto de estudarem ou estarem em casa a cuidar da família a tempo inteiro.
Taxa de participação = Pop. ativa / Pop. adulta *100
Desemprego cíclico está associado aos altos e baixos de curto prazo do ciclo económico. Verifica-se, então, quando a economia está a produzir abaixo do pleno-emprego e é causado por um nível demasiado baixo da procura agregada.
Desemprego de equilíbrio/natural/de longo prazo é aquele que se verifica quando a economia está em equilíbrio de longo prazo, isto é, a produzir ao seu nível potencial ou de pleno emprego. Nesta situação, há trabalhadores desempregados, mas em número considerado normal.
O desemprego de equilíbrio pode ser friccional e estrutural:
Desemprego friccional: resulta da demora em encontrar o posto de trabalho/emprego disponível que se adequa às características dos trabalhadores. Consequência do processo de compatibilização entre trabalhadores e empregos; acredita-se que explique períodos relativamente curtos de desemprego.
Desemprego estrutural: resulta do número de empregos disponíveis em certos mercados de trabalho não ser suficiente para dar emprego a todos os que os pretendem.
Desemprego voluntário é aquele em que as pessoas optam por permanecer desempregadas em vez de aceitarem os empregos disponíveis.
Desemprego involuntário é aquele em que as pessoas querem trabalhar com os salários atuais do mercado, mas não conseguem encontrar emprego.
Ao longo do tempo, as mudanças estruturais que ocorrem numa certa economia afetam a composição da oferta e da procura de trabalho. O mercado de trabalho não ajusta devido a vários fatores:
Imobilidade profissional e geográfica: os trabalhadores que perdem os seus empregos num determinado setor podem descobrir que os empregos disponíveis:
- Exigem competências e experiência que eles não possuem = imobilidade profissional;
- Ou não se encontram na região onde eles vivem = imobilidade geográfica.
Mudança tecnológica torna redundantes vários trabalhadores.
Outras alterações estruturais como o declínio da indústria / intensificação dos serviços e o aumento da concorrência internacional.
Capítulo 4 - Sistema financeiro
Sistema financeiro é o conjunto de instituições de uma economia que facilitam a circulação de recursos/fundos entre agentes económicos, isto é, facilitam a transferência fundos dos agentes económicos excedentários (poupadores/aforradores/mutuantes/credores) para os agentes económicos deficitários (tomadores de empréstimos/mutuários /devedores); simplificadamente, ajudam a fazer corresponder a poupança de uma entidade ao investimento de outra.
Instituições financeiras:
- Mercados financeiros: instituições financeiras através das quais os credores podem oferecer diretamente fundos aos devedores;
- Intermediários financeiros: instituições financeiras através das quais os credores podem oferecer indiretamente fundos aos devedores;
- Outras.
Mercado de obrigações
Obrigação: certificado de dívida que especifica as obrigações do devedor para com o titular da obrigação, nomeadamente pagar juros (cupão) e o valor da dívida em determinada data futura.
Ação: representa um direito de propriedade parcial sobre uma empresa e, por conseguinte, um direito aos lucros que a empresa obtém.
A venda de ações para angariar dinheiro é designada por financiamento por capitais próprios, enquanto a venda de obrigações é designada por financiamento por dívida.
O preço das ações reflete a perceção que as pessoas têm da rentabilidade futura da empresa emitente.
O dinheiro não vale hoje o que valerá no futuro. Valor atual = Valor futuro/(1 + tx. juro)^n.º anos
A poupança (S) e o investimento (I) são iguais para a economia como um todo: S = I
Os bancos e outras instituições financeiras tornam possíveis diferenças individuais entre poupança e investimento, permitindo que as poupanças de um agente económico financiem o investimento de outro agente económico.
PIB = C + G + I + Ex – Im
PIB = C + G + I <=> Y - C - G = I <=> S = (Y - T - C) + (T - G)
Y - T - C: Poupança privada
T - G: Poupança pública
Quando há um défice orçamental o Estado tem de contrair empréstimos para financiar o excesso de despesas. Esta soma de dinheiro torna-se parte da dívida pública, que é a acumulação dos endividamentos passados do Estado.
Moeda: conjunto de ativos de uma economia prontamente utilizados para efetuar transações.
Funções da moeda:
- Meio de troca: algo que os compradores dão aos vendedores quando pretendem adquirir bens e serviços. Qualquer coisa que seja facilmente aceite como pagamento.
- Unidade de conta: medida que as pessoas utilizam para registar preços e dívidas.
- Reserva de valor: meio que permite transferir poder de compra do presente para o futuro.
Liquidez: facilidade com que um ativo pode ser convertido no meio de trocada economia.
Tipos de moeda:
- Moeda mercadoria: assume a forma de uma mercadoria com valor intrínseco (ouro, prata, cigarros);
- Padrão-ouro: sistema em que a moeda se baseia no valor do ouro e em que a moeda pode ser convertida em ouro mediante pedido;
- Moeda fiduciária: utilizada como moeda devido a um decreto governamental. Não tem valor intrínseco (moedas metálicas, notas, depósitos à ordem).
Liquidez: facilidade com que um ativo pode ser convertido no meio de trocada economia.
Stock de moeda = massa monetária (M): quantidade de moeda que circula/disponível na economia. É composto por:
- C: Circulação monetária (currency) - notas e moedas metálicas em circulação;
- D: Depósitos à ordem (demand deposits) - saldos em contas bancárias a que os depositantes podem aceder mediante pedido, como passando um cheque ou utilizando um cartão de débito.
Agregados Monetários: ativos de elevado grau de liquidez, na posse do público, emitidos sobretudo por instituições monetárias e financeiras (bancos comerciais e Banco Central).
Definições dos Agregados Monetários do BCE
- M1 = circulação monetária + depósitos à ordem;
- M2 = M1 + depósitos com prazo até dois anos + depósitos com pré-aviso até 3 meses;
- M3 = M2 + acordos de recompra + ações/unidades de participação em fundos do mercado monetário (FMM) e títulos do mercado monetário +títulos de dívida até 2 anos.
Banco central (BC): instituição concebida para supervisionar o sistema bancário e regular a quantidade de moeda disponível na economia, por exemplo, o BCE, a Reserva Federal (Fed).
As principais funções de um BC são garantir a estabilidade no sistema financeiro e a estabilidade da macroenconomia, isto é, estabilidade do crescimento económico e da inflação, prevenindo oscilações excessivas da atividade económica.
Política monetária: conjunto de medidas tomadas pelo BC com oobjetivo de influenciar a oferta de moeda.
| Ativo | Passivo |
|---|---|
| Reservas | Depósitos |
| Títulos | Empréstimos de outros bancos no mercado interbancário |
| Empréstimos | Capital próprio |
Reservas: notas e moedas metálicas detidas pelos bancos e depósitos dos bancos junto do BC, suficientes para dar resposta às solicitações de levantamentos de forma segura.
Títulos: títulos detidos pelo banco, resultantes das operações de compra e venda de uma variedade de ativos, incluindo obrigações.
Empréstimos: ao conceder um empréstimo o banco credita a conta de depósitos do devedor no valor do empréstimo. No momento em que o novo crédito é concedido é criada moeda. Este novo empréstimo representa um ativo do banco, porque o devedor terá de efetuar o reembolso do empréstimo e pagar juros ao banco. Simultaneamente, o passivo aumenta no mesmo valor (depósitos).
Suponhamos um mundo sem bancos (D=0), em que existem 1000 u.m. em circulação (C=1000): M = C + D = 1000 + 0
Introduzimos agora os bancos, inicialmente supondo que os bancos aceitam depósitos mas não concedem empréstimos. Então, todos os depósitos são mantidos como reservas - sistema bancário com cobertura total.
Suponhamos que os detentores das 1000 u.m. em circulação asdepositam no Banco Primeiro.
| Ativo | Passivo |
|---|---|
| Reservas = 1000 | Depósitos = 1000 |
C = 0 D = 1000 M = 1000
Agora, suponhamos que os bancos começam a emprestar alguns dos seus depósitos. Suponhamos que os bancos mantêm em reserva 20% dos depósitos.
| Ativo | Passivo |
|---|---|
| Reservas = 200 | Depósitos = 1000 |
| Empréstimos = 800 |
Suponhamos que o agente económico a quem o Banco Primeiro emprestou 800 u.m. deposita este valor no Banco Segundo (ou usa-o para pagar a alguém que depois o deposita):
| Ativo | Passivo |
|---|---|
| Reservas = 160 | Depósitos = 800 |
| Empréstimos = 640 |
Suponhamos que o Banco Segundo empresta 80% deste depósito (640 u.m.) a outro agente económico. Este utiliza essa quantia para comprar algo a alguém que, por sua vez, a deposita no Banco Terceiro
| Ativo | Passivo |
|---|---|
| Reservas = 128 | Depósitos = 640 |
| Empréstimos = 512 |
Concluímos que num sistema bancário de reservas fraccionárias, os bancos criam moeda. Designando a taxa de reservas por rr, a quantidade de moeda criada é a seguinte:
Depósito original = 1000
+ Empréstimo do Banco Primeiro = 1000*(1–rr) = 1000*(1-0.2) = 800
+ Empréstimo do Banco Segundo = 800*(1-rr) = 1000(1–rr)(1-rr) = 1000(1–rr)^2 = 1000*(1-0.2)^2 = 640
+ Outros empréstimos...
Oferta de moeda total =
= 1000 + 1000*(1–rr) + 1000*(1–rr)^2 + 1000*(1–rr)^3 + …
= 1000*(1/rr) = 1000*(1/0.2) = 5000
M = C*(1/rr)
Capítulo 6 - A economia no curto prazo
A curva da oferta de morda é vertical
Liquidez -> Facilidade com que se usa a moeda
Fatores que influenciam a procura de moeda
Curto prazo: taxa de juro são fundamentais
Longo prazo: nível de preços
Preços mais elevados -> menos valor da moeda -> mais procura da moeda
Preços mais baixos -> maior valor da moeda -> menos procura da moeda
Teoria
clássica da inflação
Maior moeda em
circulação -> maior inflação
Como é que
impacta as variáveis macroeconómicas (produção, emprego, salário real, taxa de
juro real,...)?
Pensadores
clássicos -> dicotomia clássica: separação do real e do nominal
Preço relativo
dum bem: Preço nominal desse bem/Preço nominal outro bem
Ex: Preço relativo pera: Preço quilo pera/Preço quilo maçã
Se for ½ (valor real)
significa que prescindo de 2 quilos de maçã para comprar 1 quilo de pera ou
prescindo de ½ quilo de pera para comprar 1 quilo de maçã
Salário nominal
=/ Salário real
Ex: salário nominal = 10 preço peras = 2 salário real = 5
Salário real =
Salário nominal/Inflação (IPC)
Velocidade da
moeda
V = 100 pizas
P = 10€/piza
M = 50€ a circular
P * Y = 10€ * 100 = 1000€
V = 1000/50 = 20 -> em média, uma moeda tem de mudar de mãos 20 vezes
V = (P*Y)/M
Equação das
quantidades/trocas: M * V = P * Y
Esta equação mostra que um aumento da quantidade de moeda numa economia deve refletir-se numa das outras 3 variáveis: P deve aumentar ou Y deve aumentar ou V deve diminuir.
Curva do produto potencial
Produto potencial ou de pleno emprego o que seria produzido se os recursos produtivos fossem utilizados aos seus níveis normais.
É normal haver desempregados em produto potencial devido ao desemprego natural/estrutural.
Este produto não é observável, é estimado.
Hiato do produto positivo: momentos em que o produto potencial é menor que o produto efetivo.
Hiato do produto (output gap) = Produto efetivo - produto potencial
HP < 0: Há bens e serviços que deixam de ser produzidos. Não há pleno emprego, fatores de produção não estão a ser utilizados a nível normal. Há desemprego.
HP > 0: Empresas a produzir mais que o potencial. Não há pleno emprego, excesso de utilização dos fatores de produção, por exemplo, através de horas extraordinárias. Desemprego reduzido e aumento do poder de compra. Gera inflação.
HP = 0: Ideal.
Para aproximar o produto efetivo do produto potencial, são validadas políticas de estabilização, minimizando os custos do desemprego e da inflação.
Os economistas agrupam variáveis em pares para observar os movimentos. Geralmente, uma destas variáveis é o PIB
Variável pró-cíclicas: acompanha a tendência do crescimento económico. É, por exemplo, o emprego. Se PIB aumenta, emprego tende a aumentar.
Variável contracíclica: tende a evoluir no sentido contrário ao crescimento económico. Por exemplo, o desemprego: aumento do PIB, desemprego tende a diminuir.
Indicador avançado: variável que tende a liderar o movimento do PIB. Pode ser utilizado para prever alterações do crescimento económico. Como exemplo, o índice bolsista. Aumento do preço das ações leva a tender o aumento do PIB.
Indicador desfasado: aquele que ilustra movimentos consequentes do movimento do PIB.
Indicador coincidente: movimentos que ocorrem ao mesmo tempo que as alterações no PIB/ nível de atividade económica.
Indicador compósito avançado da OCDE: indicador construído pela OCDE fruto da reunião de indicadores avançados para identificar o precocemente pontos de viragem nos ciclos económicos.
Causas das alterações no nível de atividade económica:
- Decisões das famílias;
- Decisões das empresas;
- Fontes externas;
- Política governamental e dos bancos centrais;
- Expectativas e confiança no futuro
Capítulo 7 - Mercado real e curva IS
A cruz keynesiana é a interpretação mais simples da teoria de Keynes sobre a forma como o rendimento nacional é determinado.
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