quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

A economia pós Segunda Guerra Mundial: Da debilidade até às crises petrolíferas

O fim da guerra define dois objetivos: a promoção da paz e o regresso à prosperidade económica.

Nasce em 1945 a Organização das Nações Unidas. Inaugura-se também a Organização do Tratado do Atlântico Norte, que vem proteger as potencias capitalistas do comunismo.

É instaurado um novo sistema monetário internacional com Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, financiando os países debilitados pela guerra.

Procura-se estabilidade cambial com o padrão dólar-ouro (Acordo de Bretton Woods): afixa-se o dólar a uma taxa fixa de conversão ao ouro, fundamentado pela ideia que o vínculo ao ouro cria estabilidade. É escolhido o dólar por ser a moeda líder das trocas mundiais, ficando as outras moedas fixam em relação ao dólar e não ao ouro.

Os EUA possuíam dois terços das reservas de ouro. Com este capital, financiam o plano Marshall. Como os Estados Unidos era responsável por metade da produção mundial, os países europeus precisam de dólares para adquirir bens estadunidenses. A debilidade do capitalismo europeu é duplamente perigosa para os Estados Unidos porque a Europa é o seu maior importador e as falhas do capitalismo são oportunidades para a expansão do comunismo. Por estas razões, os EUA emprestaram a fundo perdido como tentativa de resgate do capitalismo da Europa.

O pós-Guerra é a época de ouro do capitalismo (1950 a 1973). O crescimento da economia mundial é de 5% ao ano, mais do dobro do crescimento na Revolução Industrial. EUA com metade da produção mundial e fortíssimos militarmente. Conseguiram evitar uma crise após a Segunda Grande Guerra, o que era padrão historicamente. Depois de lançada a bomba atómica, havia o medo do uso da tecnologia nuclear, o que manteve o mundo em paz.

Foram adotadas políticas mistas para tornar o capitalismo mais inclusivo: taxas de juro baixas e impostos progressivos. Foi formado o Acordo Geral sobre as Pautas Aduaneiras e Comércio.

Houve três milagres do Primeiro Mundo: a Alemanha Ocidental, o Japão e a Itália, que cresceram a altas taxas. A Europa cresce mais que os EUA, convergindo-se, tendo os países mais pobres uma taxa de crescimento maior.

Este é o maior período de inovações tecnológicas. Há o maior crescimento das taxas de produtividade e pleno emprego, o que faz os salários aumentarem. São introduzidos novos trabalhadores: mulheres e imigrantes. É criado um ciclo virtuoso.

Pleno emprego

Salários crescentes

Maior poder de compra

Maior consumo

Necessidade de oferta

Pleno emprego

A standardização e a produção em massa são finalmente exportadas para a Europa.

Ocorre uma grande transferência da força de trabalho de setores menos produtivos para os mais produtivos. Setores com mais capital são mais produtivos. Há intensificação da transferência de trabalhadores da agricultura para a indústria e da indústria para os serviços. Como os serviços são menos produtivos estruturalmente, com poucos avanços tecnológicos, vêm a explicar a estagnação do crescimento que acontecerá. Aumenta-se a escolaridade e a qualidade do fator trabalho. Reduz-se as horas e anos de trabalho. São criados novos direitos dos trabalhadores, como férias pagas, que originaram novas atividades económicas, como o setor do turismo.

Já no Segundo Mundo, a URSS converge com os EUA até os anos 70, o que desafiou as potências capitalistas e pode ter sido razão do aumento das providências. É feito um grande investimento na educação e nas indústrias básicas (elétrica, pesada, metálica). A sua taxa de crescimento é de 5% ao ano, devido ao preço reduzido dos bens, resultado da baixa qualidade. Socialmente, o povo vivia em opressão e precariedade.

No Terceiro Mundo, a diagnóstico é muito mais pessimista. Subdesenvolvido e crescente em termos populacionais, atravessa o processo de descolonização. Composto por economias de baixa produtividade e alguns focos urbanos. O setor primário predomina, cuja agricultura é de subsistência. 

Rendimentos baixos

Poupança baixa

Investimento baixo

Produtividade baixa

Rendimentos baixos

Os fatores que levam aos rendimentos baixos são perpétuos, originando um ciclo vicioso, que, para se sair, necessita de um Big Push, um grande investimento coordenado pelo Estado que arrancaria revoluções industriais. Esta ideia dificilmente se concretiza porque não há capital e os Estados são recentes e corruptos.


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