quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

A economia internacional entre as duas Grandes Guerras

Entre 1914 e 1918 dá-se a Primeira Guerra Mundial, que acarreta imensas consequências económicas: perda de vidas, destruição de infraestruturas e cidades, dívidas de guerra, reparos e necessidades de reconstrução e hiperinflação.

Foi nestes conflitos que se viu o menor crescimento do PIB. As questões monetárias ganham importância com a desvalorização da moeda. O padrão-ouro é posto em pausa por ser pouco flexível. A inflação entre 1915 e 1923 estava descontrolada devido à guerra e aos gastos militares.

Com a paz, há novamente uma transformação da economia mundial. A Alemanha é culpada pelos estragos da guerra e terá de financiá-los. Os Estados Unidos tornam-se grandes credores e a Alemanha o grande devedor. O Reino Unido passa dificuldades e não consegue manter-se como centro económico mundial, sendo ultrapasso pelos EUA. A libra esterlina estava propositalmente sobrevalorizada. Quebraram-se impérios e redefiniram-se fronteiras.

Depois do crescimento estável, ocorre a Crise de 1929, o "Crash" Bolsista, causado pela especulação da bolsa: quinta-feira negra (12 milhões de ações foram lançadas no mercado), que afetou todas as classes, porque a cultura de compra de ações era transversal, pela desigualdade na distribuição dos rendimentos, pela superprodução e deflação e pela regulação bancária deficiente.

Os Estados Unidos já estavam a passar por uma deflação, devido à superprodução. Um bens estavam desiquilibradamente mais valorizados que a moeda.

Assim iniciou-se a primeira grande crise capitalista, que teve três respostas: o New Deal, o fascismo e o comunismo.

Roosevelt tinha sido eleito e defendia que o liberalismo fora o culpado da crise. O desemprego atingia os 25% e havia falências bancárias em efeito dominó. Surge um plano: o New Deal. A primeira tarefa do governo foi criar emprego, investindo em obras públicas. O papel do Estado na economia é reforçado, na tentativa de complementar a mão invisível com uma visível mais presente e reguladora. O medo estava instaurado, o que impedia a economia de avançar, criando recessão e consequentemente mais medo. Para aumentar a confiança nas instituições bancárias, foi ordenado o encerramento das bancas e a sua reabertura com a garantia de resgate dos bancos com a Reserva Federal. Foi criada a Securities and Exchange Commission - a agência que regula o mercado financeiro e protege os investidores. Os Estados Unidos saem do padrão-ouro e desvalorizam a moeda para fazer face à deflação. 

Criação de uma "segurança social", com subsídios de desemprego e reformas, tornando os EUA um pilar na segurança pública. New Deal torna-se também um paradigma de reforma social, para além de económico. Na agricultura, o Estado intervém e regula para tentar equilibrar os preços. É priorizada a economia nacional em deterioramento da internacional.

A mudança é levada mais ao extremo na União Soviética com o socialismo soviético de Estaline. A indústria é nacionalizada e, no fim dos anos 20, a agricultura coletivizada, enquanto que o território é maioritariamente agrícola. As relações comerciais são trocadas por planos quinquenais, que definem a orientação económica do país. O capitalismo é abolido progressivamente: a propriedade privada é substituída pela pública e a definição individual de preços substituída pelos planos do Estado.

Estas respostas prova, que depois das crises pós-Guerra e financeira, os modelos económicos, nesta caso o capitalismo liberal, fragmentam-se.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Princípios de macroeconomia

Extraído e parcialmente adaptado dos Powerpoints da prof. d. Conceição Pereira, da FEUC. Capítulo 1 - Nível de vida  Macroeconomiaé o estudo...