Denomina-se área urbana o espaço de elevada concentração populacional, habitacional e de serviços, podem ter uma dimensão variável.
Já área rural é a zona com características próprias da prática agrícola, de grande dispersão populacional e habitacional.
Urbanização é as alterações a níveis espaciais, demográficos e económicos que surgem em resultado do processo de transformação do meio rural em urbano, devido à atração e concentração populacional.
Urbanização é as alterações a níveis espaciais, demográficos e económicos que surgem em resultado do processo de transformação do meio rural em urbano, devido à atração e concentração populacional.
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A urbanização expressa-se através da taxa de urbanização (Tu).
É a relação entre a população urbana e a população total
Tu = Pu/Pt * 100
As cidades concentram têm grande densidade populacional, grande concentração de atividades dos setores terciário e secundário, paisagens têm traços vincados de urbanidade e vários equipamentos e serviços sociais, como hospitais, serviços administrativos, centros comerciais.
A evolução da urbanização, nos países desenvolvidos, acompanhou a Revolução Industrial, com um crescimento gradual e linear ao desenvolvimento do país, o que originou uma elevada urbanização atual, devido à modernização da agricultura e do desenvolvimento do comercio e serviços.
Nos países em desenvolvimento, houve um crescimento muito rápido e crescente, originado pela alta natalidade e pelo grande êxodo rural que as guerras e a destruição do solo provocaram.
Em 1800, existiam 2 cidades com 1 milhão de habitantes (Londres e Pequim);
Em 1900, Londres tinha 6,5 milhões;
Em 1996, havia 16 cidades com mais de 10 milhões de habitantes;
Em julho de 2011, 26 cidades tinham maid de 10 milhões de habitantes.
As cidades têm como principais problemas a/o(s):
- falta de habitação;
- áreas residenciais degradadas;
- falta de equipamento social básico;
- congestionamentos;
- falta de estacionamentos;
- transportes públicos insuficientes;
- poluição atmosférica;
- falha na recolha do lixo;
- problemas sociais.
Em Portugal, o crescimento urbano é muito acentuado no litoral (litoralização), porém, está ainda mais acentuado em Lisboa e no Porto (bipolarização).
Em 1972, existiam 39 cidades. Em 2013, 159.
Critérios para definir uma cidade
1. Demográficos
População absoluta - A cidade é definida por um número mínimo de habitantes.
🟢 - Simples e fácil na aplicação.
🔴 - Grande disparidade de valores e o mesmo valor tem significados diferentes para países industria-lizados e países em vias de desenvolvimento.
Densidade populacional - A cidade é definida por um número mínimo de habitantes por quilómetro quadrado.
🟢 - Simples e fácil na aplicação.
🔴 - Impossível universalização do critério devido às disparidades entre países desenvolvidos e em de-senvolvimento.
2. Funcionais
A cidade é definida por uma percentagem máxima de população ocupada nos sector primário
🔴 - Não há uma percentagem universal, no Terceiro Mundo e há cidades com mais de 50% da popu-lação na agricultura.
3. Critérios conjugados
A cidade é definida pela conjunção dos critérios demográfico e funcional.
Segundo a Conferência Europeia de Estatística (Praga, 1966), é cidade qualquer aglomeração com mais de 10000 habitantes ou tendo um mínimo de 2000, mas que a população ligada ao setor primário não ultrapasse os 25%.
4. Outros critérios
Pode-se considerar cidade uma localidade com passado histórico, como Pinhel, jurídico-administrativa ou com uma morfologia única.
Em Portugal, uma cidade é definida por um número mínimo de habitantes e um conjunto de serviços oferecidos à população.
ARTIGO 13.º
Uma vila só pode ser elevada à categoria de cidade quando conte com um número de eleitores, em aglomerado populacional contínuo, superior a 8000 e possua, pelo menos, metade dos seguintes equipamentos colectivos:
a) Instalações hospitalares com serviço de permanência;
b) Farmácias;
c) Corporação de bombeiros;
d) Casa de espectáculos e centro cultural;
e) Museu e biblioteca;
f) Instalações de hotelaria;
g) Estabelecimento de ensino preparatório e secundário;
h) Estabelecimento de ensino pré-primário e infantários;
i) Transportes públicos, urbanos e suburbanos;
j) Parques ou jardins públicos.
ARTIGO 14.º
Importantes razões de natureza histórica, cultural e arquitectónica poderão justificar uma ponderação diferente dos requisitos enumerados nos artigos 12.º e 13.º
(Texto retirado do Diário da República, Lei nº11/82 de 2 de Junho)
Qualquer que seja o critério usado, todas as cidades, na sua diversidade, têm traços em comum:
- Densa concentração humana;
- Concentração de atividades económicas dos setores secundário e terciário;
- Existência de equipamento social, cultural e recreativo;
- Elevados fluxos de pessoas e trânsito.
O crescimento urbano tem dois aspetos fundamentais: o demográfico e o espacial.
Tipos de concentrações urbanas
Metrópole - grande cidade, com pelo menos meio milhão de habitantes, incluindo subúrbios, resultando dum só núcleo. São exemplos o Porto e Lisboa.
Conurbação - junção de duas ou mais metrópoles. São exemplos Amesterdão, Haia e Roterdão.
Megalópolis - concentração de diversas metrópoles e/ou conurbações e subúrbios. Temos como exemplo Tóquio.
Cada cidade tem características próprias. Diversos fatores permitem que se agrupem em tipos, conforme a análise que se fizer.
Os fatores que as destinguem são o/a(s):
- clima;
- espaço disponível;
- vias de comunicação;
- história e cultura;
- antiguidade;
- desenvolvimento económico;
- densidade populacional;
- função exercida;
- origem;
- tipo de planta.
- europeia;
- norte-americana;
- latino-americana;
- mulçumana africana;
- negra africana;
- asiática;
- socialista (ex-URSS).
As cidades podem ser planeadas, se criadas de raiz, ou adaptadas, que vão evoluindo lentamente à medida do desenvolvimento das sociedades.
As cidades destinguem-se pela sua planta, que pode ser irregular, radioconcêntrica ou ortogonal.
Planta irregular
- Resulta do crescimento espontâneo ao longo do tempo;
- Ruas desordenadas, de traçado sinuoso e caótico;
- Não há organização do espaço (ordenação ou planificação).
- 🟢 Adapta-se à topografia acidentada;
- 🟢 Promove relações entre a vizinhança;
- 🟢 Reduz a utilização dos meios de transporte e facilita percursos a pé.
- 🔴 Dificulta a mobilidade e acesso a viaturas;
- 🔴 Dificulata a segurança pública;
- 🔴 Grande número de obstáculos.
Planta radioconcêntrica
- Resulta do crescimento da cidade a partir de uma posição defensiva ou de um planeamento deliberado;
- Organização a partie dum centro ou praça;
- Ruas que partem do centro para a periferia (radiais);
- Ruas que cortam as ruas radias (concêntricas);
- Nas cidades planeadas à uma hierarquia entre as ruas.
- 🟢 Facilita o acesso direto ao centro da cidade;
- 🟢 Adapta-se à topografia acidentada;
- 🟢 Deslocações entre o centro e a periferia rápidas;
- 🟢 Define a hierarquia dos espaços.
- 🔴 Dificulta a construção nos quarteirões mais próximos do centro.
Planta ortogonal
- Traçado retilíneo de todas as ruas;
- Conjunto de ruas paralelas e perpendiculares entre si;
- As ruas têm uma hierarquia entre si;
- Resultam sempre dum planeamento prévio.
- 🟢 Facilita a circulação longitudinal dos transportes;
- 🟢 Adapta-se à necessidade de crescimento da cidade;
- 🟢 Permite a construção de grandes edifícios;
- 🟢 Facilita a segurança pública.
- 🔴 Dificulta a fluidez do transito (grande número de cruzamentos);
- 🔴 A disposição das ruas facilita a circulação do ae em velocidade;
- 🔴 Os trajetos tornam-se mais longos em deslocações em ângulo reto;
- 🔴 Não se adapta com facilidade a terrenos acidentados.
A cidade contém diversas áreas com características próprias, onde predomina uma função.
A primeira e principal função da cidade é a função residencial. É a que lhe dá origem.
Também temos o CBD, as áreas industriais e os subúrbios.
A organização das áreas funcionais depende da renda locativa, isto é, o preço do solo. Esta varia com a distância ao centro e a acessíbilidade. É tanto maior quanto mais perto do centro, porque o custo de transporte é mais baixo.
A procura do centro da cidade superior à oferta conduz a um desiquilíbrio da curva da oferta e da procura.
O preço do solo é influenciado por outros fatores dentro da cidade, como condições ambientais, aspetos socias e a organização administrativa.
CBD ou centro ou baixa
- Zona central e mais importante da cidade;
- Forte concentração de comércio e serviços;
- Fraca função residencial: só classes baixas e idosos;
- Grande tráfego diúrno de pessoas e veículos;
- Escasso movimento noturno;
- Diferenciação vertical da ocupação dos edifícios;
- Elevada poluição sonora e atmosférica;
- Pode coincidir com o núcleo histórico - sítio.
- Exclusivamente residencial, comercial e administrativa;
- Dominado pela indústrial durante a Revolução Industrial;
- Descentralização das funções para as novas áreas da cidade.
Áreas residenciais
- Maior espaço da cidade;
- É a essencia da cidade;
- Domina a função habitacional;
- Divide-se em bairoos e zonas sociais diferentes.
Classes altas
- Áreas planeadas;
- Boa acessibilidade;
- Espaços verdes;
- Vistas panorâmicas;
- Zonas de prestígio;
- Predominam vivendas e condomínios fechados;
- Proximidade de serviços e comércio sofisticado.
Classe médias
- Menor qualidade arquitetónica;
- Maior parte do espaço urbano;
- Bons serviços de transporte;
- Boa acessibilidade;
- Área em expanção;
- Predominam moradias e apartamentos espaçosos;
- Proximidade de serviços de apoio e comércio;
- Predomina a população jovem com mobilidade própria.
Áreas industriais
- Inicialmente, no centro ou na residência do artesão;
- No centro, durante a Revolução Industrial;
- Na periferia, depois da Primeira Guerra Mundial.
- Elevados custos do solo;
- Necessidade de espaço;
- Congestionamentos;
- Poluição;
- Desenvolvimento dos transportes.
Subúrbios:
- Zonas de crescimento recente;
- Zonas de fácil acesso;
- Equipamentos que necessitam de muito espaço;
- Parques industriais;
- Bairros de classe.
As cidades estabelecem relações com o meio envolvente. A cidade fornece bens e serviços e adquire produtos alimentares. Quanto mais raro for o bem ou serviço, mais forte é a área de influência da cidade.
Bens vulgares - produtos e serviço de utilização frequente e que podem ser encontrados facilmente.
Bens raros - produtos e serviço de utilização pouco frequente.
Bens dispersos - produtos e serviço de distribuição domiciliária.
Bens centrais - produtos e serviço que apenas existem num lugar central.
Quanto maior o número de funções raras oferecidas, maior a importância da cidade.
Todas as cidades concentram funções. Nalgumas, uma ou duas funções tornam-se dominantes, passando a caracterizar a cidade.
As funções são político-administrativa, comercial, industrial, defensiva, portuária,, educativa, hospitalar, culural, religiosa e turística.
Quando a principal função da cidade deixa de ser importante, ou a cidade se adapta, ou desaparece.
A expansão urbana ocorre de duas formas: em altura ou em extensão.
A fase centrífuga está diretamente relacionada com a industrialização após a II Guerra Mundial e foi possibilitada pelo desenvolvimento dos transportes. Carateriza-se pela implantação de novas áreas residenciais na periferia, ao longo dos eixos de acesso à cidade Progressiva ocupação do espaço rural.
Cidades satélite resultam da expansão do núcleo populacional rural à categoria de cidade. Possuem vida própria e assumem-se como polos de atração.
Cidades dormitório resultam, por vezes, da expansão do núcleo populacional rural à categoria de cidade. Possuem escassos equipamentos, infraestruturas e atividade económica.
Suburbanização é a alteração do espaço rural, que, progressivamente, se descaracteriza, perdendo os seus traços, assumindo características mistas entre o rural e o urbano.
Rurbanização é o fenómeno em que o espaço rural ganha população, atividades e funções próprias de cidade, mantendo a população ligada à exploração da terra.
São impactos negativos da expansão urbana o/a(s):
- Intensificação dos movimentos pendulares;
- Pressão dos transportes;
- Poluição atmosférica;
- Aumento das despesas, fadiga e tensão, devido às deslocações no quotidiano;
- Crescentes despesas públicas com a instalação de redes de abastecimento de água, eletricidade e saneamento;
- Deficiente uso de serviços;
- Ocupação dos solos agrícolas e florestais;
- Decadência da atividade agrícola.
As áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto foram criadas em 1991. Os concelhos têm perdido população, mas os concelhos circundantes têm ganho.
Área metropolitana é o espaço constituído por uma grande cidade e uma área envolvente, marcada por relações de dependência muito fortes.
A AM de Lisboa contém 27% da população nacional. Já a do Porto, 16%.
As AM têm um grande dinamismo demográfico. Elevada concentração populacional, que tem aumentado na coroa exterior, com uma população jovem e qualificada.
Também existe um dinamismo económico. Há uma bipolarização das atividades económicas, correspondendo a 40% do emprego nacional, com salários superiores à média.
A AM de Lisboa deu origem aos concelhos dormitórios, concelhos em que menos de 35% da população trabalha localmente.
Instrumentos legais de planeamento duma cidade:
- Plano Municipal de Ordenamento de território (PMOT);
- Plano Diretor Municipal (PDM);
- Planos de Urbanização (PU);
- Planos de Pormenor (PP).
- POLIS;
- PROSIURB.
- PRAUD;
- RECRIA;
- REHABITA;
- RECRIPH;
- SOLARH.
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