quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

As áreas urbanas

 Denomina-se área urbana o espaço de elevada concentração populacional, habitacional e de serviços, podem ter uma dimensão variável.

 Já área rural é a zona com características próprias da prática agrícola, de grande dispersão populacional e habitacional.

 Urbanização é as alterações a níveis espaciais, demográficos e económicos que surgem em resultado do processo de transformação do meio rural em urbano, devido à atração e concentração populacional.

 Urbanização é as alterações a níveis espaciais, demográficos e económicos que surgem em resultado do processo de transformação do meio rural em urbano, devido à atração e concentração populacional.

A urbanização expressa-se através da taxa de urbanização (Tu).

É a relação entre a população urbana e a população total

Tu = Pu/Pt * 100

 As cidades concentram têm grande densidade populacional, grande concentração de atividades dos setores terciário e secundário, paisagens têm traços vincados de urbanidade e vários equipamentos e serviços sociais, como hospitais, serviços administrativos, centros comerciais.

 A evolução da urbanização, nos países desenvolvidos, acompanhou a Revolução Industrial, com um crescimento gradual e linear ao desenvolvimento do país, o que originou uma elevada urbanização atual, devido à modernização da agricultura e do desenvolvimento do comercio e serviços.

 Nos países em desenvolvimento, houve um crescimento muito rápido e crescente, originado pela alta natalidade e pelo grande êxodo rural que as guerras e a destruição do solo provocaram.

 Em 1800, existiam 2 cidades com 1 milhão de habitantes (Londres e Pequim);

 Em 1900, Londres tinha 6,5 milhões;

 Em 1996, havia 16 cidades com mais de 10 milhões de habitantes;

 Em julho de 2011, 26 cidades tinham maid de 10 milhões de habitantes.

 As cidades têm como principais problemas a/o(s):

  • falta de habitação;
  • áreas residenciais degradadas;
  • falta de equipamento social básico;
  • congestionamentos;
  • falta de estacionamentos;
  • transportes públicos insuficientes;
  • poluição atmosférica;
  • falha na recolha do lixo;
  • problemas sociais.

 Em Portugal, o crescimento urbano é muito acentuado no litoral (litoralização), porém, está ainda mais acentuado em Lisboa e no Porto (bipolarização).

 Em 1972, existiam 39 cidades. Em 2013, 159.

Critérios para definir uma cidade

 1. Demográficos

 População absoluta - A cidade é definida por um número mínimo de habitantes.

 🟢 - Simples e fácil na aplicação.

 🔴 - Grande disparidade de valores e o mesmo valor tem significados diferentes para países industria-lizados e países em vias de desenvolvimento.

 Densidade populacional - A cidade é definida por um número mínimo de habitantes por quilómetro quadrado.

 🟢 - Simples e fácil na aplicação.

 🔴 - Impossível universalização do critério devido às disparidades entre países desenvolvidos e em de-senvolvimento.

 2. Funcionais

 A cidade é definida por uma percentagem máxima de população ocupada nos sector primário

 🔴 - Não há uma percentagem universal, no Terceiro Mundo e há cidades com mais de 50% da popu-lação na agricultura.

 3. Critérios conjugados

 A cidade é definida pela conjunção dos critérios demográfico e funcional.

 Segundo a Conferência Europeia de Estatística (Praga, 1966), é cidade qualquer aglomeração com mais de 10000 habitantes ou tendo um mínimo de 2000, mas que a população ligada ao setor primário não ultrapasse os 25%.

 4. Outros critérios

 Pode-se considerar cidade uma localidade com passado histórico, como Pinhel, jurídico-administrativa ou com uma morfologia única.

 Em Portugal, uma cidade é definida por um número mínimo de habitantes e um conjunto de serviços oferecidos à população.

ARTIGO 13.º 

Uma vila só pode ser elevada à categoria de cidade quando conte com um número de eleitores, em aglomerado populacional contínuo, superior a 8000 e possua, pelo menos, metade dos seguintes equipamentos colectivos: 

a) Instalações hospitalares com serviço de permanência; 

b) Farmácias; 

c) Corporação de bombeiros; 

d) Casa de espectáculos e centro cultural; 

e) Museu e biblioteca; 

f) Instalações de hotelaria; 

g) Estabelecimento de ensino preparatório e secundário; 

h) Estabelecimento de ensino pré-primário e infantários; 

i) Transportes públicos, urbanos e suburbanos; 

j) Parques ou jardins públicos. 

ARTIGO 14.º 

Importantes razões de natureza histórica, cultural e arquitectónica poderão justificar uma ponderação diferente dos requisitos enumerados nos artigos 12.º e 13.º

 (Texto retirado do Diário da República, Lei nº11/82 de 2 de Junho)

 Qualquer que seja o critério usado, todas as cidades, na sua diversidade, têm traços em comum:

  • Densa concentração humana;
  • Concentração de atividades económicas dos setores secundário e terciário;
  • Existência de equipamento social, cultural e recreativo;
  • Elevados fluxos de pessoas e trânsito.

 O crescimento urbano tem dois aspetos fundamentais: o demográfico e o espacial.

 Tipos de concentrações urbanas

 Metrópole - grande cidade, com pelo menos meio milhão de habitantes, incluindo subúrbios, resultando dum só núcleo. São exemplos o Porto e Lisboa.

 Conurbação - junção de duas ou mais metrópoles. São exemplos Amesterdão, Haia e Roterdão.

 Megalópolis - concentração de diversas metrópoles e/ou conurbações e subúrbios. Temos como exemplo Tóquio.

 Cada cidade tem características próprias. Diversos fatores permitem que se agrupem em tipos, conforme a análise que se fizer.

 Os fatores que as destinguem são o/a(s):

  • clima;
  • espaço disponível;
  • vias de comunicação;
  • história e cultura;
  • antiguidade;
  • desenvolvimento económico;
  • densidade populacional;
  • função exercida;
  • origem;
  • tipo de planta.
 Podemos agrupar as cidades em:
  • europeia;
  • norte-americana;
  • latino-americana;
  • mulçumana africana;
  • negra africana;
  • asiática;
  • socialista (ex-URSS).

 As cidades podem ser planeadas, se criadas de raiz, ou adaptadas, que vão evoluindo lentamente à medida do desenvolvimento das sociedades.

 As cidades destinguem-se pela sua planta, que pode ser irregular, radioconcêntrica ou ortogonal.

 Planta irregular

  • Resulta do crescimento espontâneo ao longo do tempo;
  • Ruas desordenadas, de traçado sinuoso e caótico;
  • Não há organização do espaço (ordenação ou planificação).
  • 🟢 Adapta-se à topografia acidentada;
  • 🟢 Promove relações entre a vizinhança;
  • 🟢 Reduz a utilização dos meios de transporte e facilita percursos a pé.
  • 🔴 Dificulta a mobilidade e acesso a viaturas;
  • 🔴 Dificulata a segurança pública;
  • 🔴 Grande número de obstáculos.

 Planta radioconcêntrica

  • Resulta do crescimento da cidade a partir de uma posição defensiva ou de um planeamento deliberado;
  • Organização a partie dum centro ou praça;
  • Ruas que partem do centro para a periferia (radiais);
  • Ruas que cortam as ruas radias (concêntricas);
  • Nas cidades planeadas à uma hierarquia entre as ruas.
  • 🟢 Facilita o acesso direto ao centro da cidade;
  • 🟢 Adapta-se à topografia acidentada;
  • 🟢 Deslocações entre o centro e a periferia rápidas;
  • 🟢 Define a hierarquia dos espaços.
  • 🔴 Dificulta a construção nos quarteirões mais próximos do centro.

 Planta ortogonal

  • Traçado retilíneo de todas as ruas;
  • Conjunto de ruas paralelas e perpendiculares entre si;
  • As ruas têm uma hierarquia entre si;
  • Resultam sempre dum planeamento prévio. 
  • 🟢 Facilita a circulação longitudinal dos transportes;
  • 🟢 Adapta-se à necessidade de crescimento da cidade;
  • 🟢 Permite a construção de grandes edifícios;
  • 🟢 Facilita a segurança pública.
  • 🔴 Dificulta a fluidez do transito (grande número de cruzamentos);
  • 🔴 A disposição das ruas facilita a circulação do ae em velocidade;
  • 🔴 Os trajetos tornam-se mais longos em deslocações em ângulo reto;
  • 🔴 Não se adapta com facilidade a terrenos acidentados.

 A cidade contém diversas áreas com características próprias, onde predomina uma função.

 A primeira e principal função da cidade é a função residencial. É a que lhe dá origem.

 Também temos o CBD, as áreas industriais e os subúrbios.

 A organização das áreas funcionais depende da renda locativa, isto é, o preço do solo. Esta varia com a distância ao centro e a acessíbilidade. É tanto maior quanto mais perto do centro, porque o custo de transporte é mais baixo.

 A procura do centro da cidade superior à oferta conduz a um desiquilíbrio da curva da oferta e da procura.

 O preço do solo é influenciado por outros fatores dentro da cidade, como condições ambientais, aspetos socias e a organização administrativa.

 CBD ou centro ou baixa

  • Zona central e mais importante da cidade;
  • Forte concentração de comércio e serviços;
  • Fraca função residencial: só classes baixas e idosos;
  • Grande tráfego diúrno de pessoas e veículos;
  • Escasso movimento noturno;
  • Diferenciação vertical da ocupação dos edifícios;
  • Elevada poluição sonora e atmosférica;
  • Pode coincidir com o núcleo histórico - sítio.
 O centro é a área da cidade que mais evoluiu:
  1. Exclusivamente residencial, comercial e administrativa;
  2. Dominado pela indústrial durante a Revolução Industrial;
  3. Descentralização das funções para as novas áreas da cidade.
 Esta evolução, causada pelo grande crescimento da cidade, congestionamento do centro e altos preços da habitação, originou novas zonas nas periferias da cidade, de grande acessibilidade e com um conjunto complementar de serviços.

 Áreas residenciais

  • Maior espaço da cidade;
  • É a essencia da cidade;
  • Domina a função habitacional;
  • Divide-se em bairoos e zonas sociais diferentes.

 Classes altas

  • Áreas planeadas;
  • Boa acessibilidade;
  • Espaços verdes;
  • Vistas panorâmicas;
  • Zonas de prestígio;
  • Predominam vivendas e condomínios fechados;
  • Proximidade de serviços e comércio sofisticado.

 Classe médias

  • Menor qualidade arquitetónica;
  • Maior parte do espaço urbano;
  • Bons serviços de transporte;
  • Boa acessibilidade;
  • Área em expanção;
  • Predominam moradias e apartamentos espaçosos;
  • Proximidade de serviços de apoio e comércio;
  • Predomina a população jovem com mobilidade própria.

 Áreas industriais

 Esta evoluiu com a cidade:
  1. Inicialmente, no centro ou na residência do artesão;
  2. No centro, durante a Revolução Industrial;
  3. Na periferia, depois da Primeira Guerra Mundial.
 Fatores de relocalização da indústria:

  • Elevados custos do solo;
  • Necessidade de espaço;
  • Congestionamentos;
  • Poluição;
  • Desenvolvimento dos transportes.
 Ainda se encontram pequenas indústria no centro, porque exigem pouco espaço, poucas matérias-primas, pouca energia e produzem bens raros e caros.

 Subúrbios:

  • Zonas de crescimento recente;
  • Zonas de fácil acesso;
  • Equipamentos que necessitam de muito espaço;
  • Parques industriais;
  • Bairros de classe.

 As cidades estabelecem relações com o meio envolvente. A cidade fornece bens e serviços e adquire produtos alimentares. Quanto mais raro for o bem ou serviço, mais forte é a área de influência da cidade.

 Bens vulgares - produtos e serviço de utilização frequente e que podem ser encontrados facilmente.

 Bens raros - produtos e serviço de utilização pouco frequente.

 Bens dispersos - produtos e serviço de distribuição domiciliária.

 Bens centrais - produtos e serviço que apenas existem num lugar central.

 Quanto maior o número de funções raras oferecidas, maior a importância da cidade.

 Todas as cidades concentram funções. Nalgumas, uma ou duas funções tornam-se dominantes, passando a caracterizar a cidade.

 As funções são político-administrativa, comercial, industrial, defensiva, portuária,, educativa, hospitalar, culural, religiosa e turística.

 Quando a principal função da cidade deixa de ser importante, ou a cidade se adapta, ou desaparece.

 A expansão urbana ocorre de duas formas: em altura ou em extensão.

 A fase centrífuga está diretamente relacionada com a industrialização após  a II Guerra Mundial e foi possibilitada pelo desenvolvimento dos transportes. Carateriza-se pela implantação de novas áreas residenciais na periferia, ao longo dos eixos de acesso à cidade Progressiva ocupação do espaço rural.

 Cidades satélite resultam da expansão do núcleo populacional rural à categoria de cidade. Possuem vida própria e assumem-se como polos de atração.

 Cidades dormitório  resultam, por vezes, da expansão do núcleo populacional rural à categoria de cidade. Possuem escassos equipamentos, infraestruturas e atividade económica.

 Suburbanização é a alteração do espaço rural, que, progressivamente, se descaracteriza, perdendo os seus traços, assumindo características mistas entre o rural e o urbano.

 Rurbanização é o fenómeno em que o espaço rural ganha população, atividades e funções próprias de cidade, mantendo a população ligada à exploração da terra.

 São impactos negativos da expansão urbana o/a(s):

  • Intensificação dos movimentos pendulares;
  • Pressão dos transportes;
  • Poluição atmosférica;
  • Aumento das despesas, fadiga e tensão, devido às deslocações no quotidiano;
  • Crescentes despesas públicas com a instalação de redes de abastecimento de água, eletricidade e saneamento;
  • Deficiente uso de serviços;
  • Ocupação dos solos agrícolas e florestais;
  • Decadência da atividade agrícola.

 As áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto foram criadas em 1991. Os concelhos têm perdido população, mas os concelhos circundantes têm ganho.

 Área metropolitana é o espaço constituído por uma grande cidade e uma área envolvente, marcada por relações de dependência muito fortes.

 A AM de Lisboa contém 27% da população nacional. Já a do Porto, 16%.

 As AM têm um grande dinamismo demográfico. Elevada concentração populacional, que tem aumentado na coroa exterior, com uma população jovem e qualificada.

 Também existe um dinamismo económico. Há uma bipolarização das atividades económicas, correspondendo a 40% do emprego nacional, com salários superiores à média.

 A AM de Lisboa deu origem aos concelhos dormitórios, concelhos em que menos de 35% da população trabalha localmente.

Instrumentos legais de planeamento duma cidade:

  • Plano Municipal de Ordenamento de território (PMOT);
  • Plano Diretor Municipal (PDM);
  • Planos de Urbanização (PU);
  • Planos de Pormenor (PP).

 Programas de requalificação urbana:
  • POLIS;
  • PROSIURB.

 Programas de reabilitação urbana:
  • PRAUD;
  • RECRIA;
  • REHABITA;
  • RECRIPH;
  • SOLARH.

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