A agricultura é a artificialização do meio natural pelo Homem com o fim de o tornar apto ao desenvolvimento de espécies vegetais e animais.
Atividade agrícola
Teve origem na Revolução do Neolítico, na Mesopotânia, a 9000 A.C..
Esta dependente de fatores externos físico ou naturais (clima, relevo, solo, água) e humanos (tradições culturais, organização económica, estabilidade social, desenvolvimento tecnológico).
Clima
A luz, temperatura e a humidade são elementos do clima que variam com a latitude e com a altitude e que provocam assinaláveis diferenças na prática da agricultura e nas espécies cultivadas.
Relevo
Baixas altitudes e áreas planas ou aplanadas favorecem a prática da agricultura.
Grandes declives e elevadas altitudes prejudicam a prática da agricultura.
A posição do relevo em relação ao Sol também influencia a agricultura: nas encostras sombrias, o aquecimento é escasso ou nulo.
Solo
O solo, camada arável da superfície terrestre, é um elemento fundamental para a prática da agricultura.
Tem como funções:
- Fixar as plantas;
- Fornecer água e nutrientes;
- Armanazenar água e matéria orgânica;
- Depositar minerais.
Água
A disponibilidade hídrica é um elemento fundamental para a prática agrícola.
A distribuição da precipitação ao longo do ano (para reposição das disponibilidades hídricas) tem uma relação direta com a qualidade dos solos.
Cada espécie agrícola tem exigências em disponibilidade de água distintas.
A menor disponibilidade de água ou irregularidade de distribuição ao longo do ano implica o desenvolvimento de sistemas de rega.
Tradições culturais
As tradições culturais transitam de geração em geração. Temos como exemplo:
- Práticas e técnicas;
- Usos e costumes;
- Organização do espaço;
- Seleção das espécies;
- Culturas usadas.
Nas sociedades menos desenvolvidas são o fator com mais peso no dia a dia. São transmitidas no círculo familiar.
Organização económica
A política utilizada aquando da prática da agricultura tem um importante papel.
Esta pode ser individualista (forte sentimento de posse da terra; propriedade muito dividida, retalhada; propriedades fechadas) ou comunitarista (posse coletiva da terra e do gado; paisagem e propriedades abertas; instrumentos, alfaias e instalações comunitárias).
O destido da produção também tem influência. Pode ser destinada ao mercado ou ao auto consumo.
Estabilidade social
Situação política é determinante para que ocorram condições para a produção. Conflitos políticos e sociais prejudicam ou impedem o trabalho das populações e as culturas.
Desenvolvimento tecnológico
A tecnologia utilizada relaciona-se com o desenvolvimento do pais. Permite contrariar ou contornar as condições adversas da natureza e permite o aumento das produções e diminuição da mão de obra. Por sua vez, conduz à mecanização, intensividade e extensividade da agricultura.
Paisagens agrárias
Espaço rural - Espaço com características próprias da prática da agricultura, de grande dispersão populacional e habitacional. Caracteriza-se pelas:
- Parcelas cultivadas;
- Unidades pecuárias;
- Áreas florestais;
- Habitações;
- Unidades industriais (dispersas);
- Unidades comerciais e serviços (básicos).
Espaço agrário - Área dentro do espaço rural ocupada pela produção agrícola, atividades complementares e afins. Caracteriza-se pelas:
- Parcelas cultivadas;
- Pastagens;
- Áreas florestais;
- Habitações dos agricultores;
- Infranstruturas e equipamentos.
Recapitulando
Espaço rural ⇨ Espaço agrícola ⇨ Espaço agrário ⇨ SAU
Paisagens agrárias - Paisagens que, pelas características físicas e humanas da sua atividade agrícola, podem ser agrupadas ou tipificadas. Estas características são:
- Sistemas de cultura;
- Morfologia agrária;
- Tipo de povoamento.
As paisagens agrárias definem as regiões agrárias naturais e administrativas.
Sistemas de cultura
Definidos pelas plantas cultivadas e pelas técnicas usadas, os sistemas de cultura ramificam-se em dois tipos: intensivo e extensivo.
1 - Sistema intensivo
No sistema intensivo o solo é totalmente ocupado.
Necessita de solos férteis, água em abundância e muita mão de obra.
Na agricultura tradicional, domina a policultura.
Predominam as culturas de regadio.
As explorações são de pequena dimensão, geralmente situadas em relevo acidentado.
É característico no Entre-Douro e Minho, na Beira Litoral e no Ribatejo e Oeste.
2 - Sistema extensivo
No sistema intensivo não há ocupação permanente e contínua do solo.
Ocorre em solos secos.
Há uma rotação de culturas de pousio.
Domina a monocultura.
Predominam as culturas de sequeiro na agricultura tradicional.
As explorações são de média e grande dimensão, situadas em relevo plano.
É característico no Entre Douro e Minho, na Beira Litoral e no Ribatejo e Oeste.
Pousio - Parcela sem produção durante um ano.
Morfologia agrária
A morfologia é o aspeto dos campos devido à forma e dimensão das parcelas cultivadas. Esta também se ramifica em dois tipos: o campo fechado e o campo aberto.
1 - Campo fechado
Campo vedado por muros, arbustos e árvores.
Pequenas parcelas de forma irregular.
Explorações familiares de pequenas dimensões.
Agricultura tradicional com dificuldades de modernização.
Predomina no Minho, Algarve e Litoral Centro.
2 - Campo aberto
Campos sem vedações (limitados por pequenas marcas).
Parcelas de grandes dimensões de forma regular.
Explorações de grandes dimensões.
Agricultura moderna.
Tipo característico no Alentejo e Ribatejo.
Tipo de povoamento
O tipo de povoamente é a organização e distribuição das habitações e instalações de apoio no espaço rural. Este pode ser:
- Diperso desordenado;
- Disperso alinhado;
- Concentrado em grandes aldeias muito afastadas;
- Concentrado em pequenas aldeias próximas;
- Misto.
As regiões agrárias
Entre Douro e Minho
- Agricultura intensiva;
- Policultura;
- Regadio;
- Propriedades de pequenas dimensões (minifúndios);
- Predomina a exploração por conta própria;
- Povoamento disperso;
- O milho é a cultura temporária dominante;
- A vinha é a cultura permanente dominante;
- Predomina a criação de gado bovino.
Trás-os-Montes
- Agricultura extensiva afastada das aldeias e intensiva junto;
- Policultura junto às aldeias e monocultura afastada;
- Povoamento concentrado;
- As explorações por conta própria são em número idêntico às do arrendamento;
- O centeio e a batata são a principal cultura temporária;
- As culturas permanentes são o olival, a vinha e os soutos;
- Predomina a criação de bovinos e suínos.
Beira Litoral
- Agricultura intensiva e tradicional;
- Policultura;
- Regadio;
- Pequenas propriedades fechadas;
- Predomina a exploração por conta própria;
- Povoamento disperso;
- O milho é a cultura predominante;
- A vinha e o olival são as principais culturas permanentes;
- Criação de gado suíno, bovino e ovino.
Beira Interior
- Agricultura extensiva;
- Monocultura;
- Sequeiro;
- Propriedades de maiores dimensões abertas;
- Povoamento aglomerado;
- A exploração por conta própria é mais comum;
- O milho e o centeio são as plantas mais cultivadas;
- O girassol tem forte expressão;
- Criação de ovinos dominante.
Ribatejo e Oeste / Lisboa e Vale do Tejo
- Agricultura intensiva;
- Policultura e monocultura (Ribatejo);
- Regadio;
- A exploração por conta própria é maioritária;
- Campos abertos;
- Propriedades de médias e grandes dimensões no Ribatejo;
- O milho, as batatas e produtos hortícolas são os mais cultivados;
- A colza é a cultura industrial mais importante;
- Predomina criação intensiva de gado suíno.
Ribatejo e Oeste / Lisboa e Vale do Tejo
- Agricultura intensiva;
- Policultura e monocultura (Ribatejo);
- Regadio;
- A exploração por conta própria é maioritária;
- Campos abertos;
- Propriedades de médias e grandes dimensões no Ribatejo;
- O milho, as batatas e produtos hortícolas são os mais cultivados;
- A colza é a cultura industrial mais importante;
- Predomina criação intensiva de gado suíno.
Alentejo
- Agricultura extensiva;
- Monocultura de sequeiro;
- Povoamento concentrado;
- Campos abertos;
- Predominam as propriedades de grandes dimensões (latifúndios);
- A exploração por conta própria é dominante mas o arrendamento tem a maior expressão do pais;
- A principal cultura temporária é o trigo seguida do girassol;
- Azinheira, sobreiro, oliveira e vinha dominam as culturas permanentes;
- Criação de ovinos e suínos em regime extensivo.
Algrave
- Agricultura intensiva;
- Policultura;
- Regadio;
- Povoamento disperso;
- Propriedade de pequena dimensão quase sempre aberta;
- Cultura permanente de frutos secos e citrinos;
- Criação de gado ovino e suíno em regime extensivo.
Açores
- Agricultura intensiva;
- Campos fechados por sebes ou muros;
- Propriedades de pequenas dimensões de formas irregulares;
- Povoamento disperso;
- Predomina a exploração por conta própria;
- Escalonamento das culturas com a altitude;
- O trigo, milho e batata são as principais culturas temporárias;
- As pastagens são numerosas;
- Frutos frescos, subtropicais e vinha são culturas permanentes;
- Chá, tabaco e beterraba são culturas industriais;
- O gado bovino é criado ao ar livre em regime extensivo.
Madeira
- Agricultura intensiva;
- Policultura com escalonamento em altitude;
- Propriedades muito pequenas (microfúndios);
- Campos fechados e socalcos;
- Povoamento disperso;
- Predomina a exploração por conta própria;
- A horticultura e floricultura são as culturas temporárias dominantes;
- A vinha e as culturas subtropicais dominam as culturas permanentes.
Características das explorações agrícolas
Exploração agrícola é a unidade técnico-económica que utiliza mão de obra e fatores de produção próprios, satisfazendo quatro condições:
- Produzir um ou vários produtos agrícolas;
- Atingir ou ultrapassar uma certa dimensão (área, número de animais,...);
- Ter uma única gestão;
- Ter uma localização determinada e identificável.
Estrutura fundiária - Forma como o espaço rural se organiza em propriedades. Devide-se em:
- Microfúndios, < 1 ha;
- Minifúndios, < 5 ha;
- Média dimensão, > 5 ha e < 50 ha;
- Latifúndio, > 50 ha.
Em Portugal, o número de explorações tem vindo a diminuir, mas a dimensão média tem está a aumentar.
Quando há um grande número de pequenas explorações, o desenvolvimento da agricultura fica condicionado, visto que elas limitam a mecanização e a modernização.
Superfície agrícola utilizada (SAU) - Área efetivamente ocupada com as culturas. Está diretamente relacionada com a dimensão da exploração. A sua distribuição é muito desigual, devido às características do relevo e da ocupação humana.
Relevo aplanado, fraca densidade populacional e povoamento concentrado resultam em vastas extensões da SAU, como se verifica no Alentejo.
Relevo acidentado, maior densidade populacional e povoamento disperso resultam em menores áreas disponíveis para a SAU, como se verifica na Madeira, Beira Litoral e Entre Douro e Minho.
Estrutura da SAU
- Terras aráveis - Área ocupada com culturas temporárias e campos em pousio;
- Culturas permanentes - Espécies que ocupam o solo durante um longo período, mais de cinco anos, como o olival, a vinha e o pomar;
- Culturas temporárias - Culturas cujo ciclo vegetativo não excede um ano (as anuais) e também as que são ressemeadas com intervalos inferiores a cinco anos (morangos, espargos, prados temporários,...)
- Pastagens permanentes - Áreas semeadas com espécies por períodos superiores a 5 anos para pasto de gado;
- Horta familiar - Área ocupada com produtos hortícolas ou frutos para autoconsumo.
Exploração da SUA
- Conta própria - O produtor é também o dono da terra;
- Arrendamento - O produtor explora uma terra que não é sua, pagando uma renda.
A exploração por conta própria predomina, exceto nos Açores.
Na exploração por conta própria, o produtor:
- Procura obter os melhores resultados das colheitas, mas preserva os solos;
- Investe em melhoramentos fundiários (redes de drenagem, rega permanente, correção dos solos,...);
- Preocupa-se e participa na preservação das espécies e na prevenção dos fogos;
- Pratica outras atividades, diversificando a economia local e promovendo o desenvolvimento sustentável.
Na exploração por arrendamento, o produtor:
- Preocupa-se apenas em obter os melhores resultados das colheitas durante a duração do contrato;
- Não tem como prioridade a preservação dos solos e a sua produtividade;
- Não investe no terreno;
- Evita o abandono de terras.
Tipos de agricultura
A combinação dos fatores naturais e dos fatores humanos permite distinguir dois tipos de agricultura: a moderna, ou de mercado, da tradicional, ou de subsistência.
Agricultura tradicional
O pricipal objetivo da produçao é produzir o suficiente para alimentar a família.
O seu desenvolvimento tecnológico consiste em:
- Práticas rudimentares e rotineiras;
- Técnicas simples;
- Instrumentos básicos e antiquados;
- Utilização de animais de apoio;
- Uso de fertilizantes naturais;
- Escasso uso de pesticidas e herbicidas.
- Na utilização de mão de obra numerosa;
- Em explorações de dimensões reduzidas;
- Na prática da policultura;
- Nos baixo rendimento agrícola;
- Na reduzida produtividade;
- Na exploração em regime intensivo.
Nota: produtividade é a relação entre a quantidade produzida e a superfície usada para a produzir.
Agricultura moderna
O pricipal objetivo da produçao maciça destinada ao mercado.
O seu desenvolvimento tecnológico consiste em:
- Prática científica e tecnológica;
- Técnicas complexas e planeadas;
- Recurso a todo o tipo de maquinaria;
- Recurso a produtos químicos;
- Estudos de solos, seleção de espécies produtivas e resistentes.
- Na ocupação de escassa mão de obra;
- Em explorações de grandes dimensões;
- Na prática da monocultura;
- No elevado rendimento agrícola;
- Na elevada produtividade;
- Na exploração em regime extensivo;
A Produção agrícola em Portugal
Ocupando 12,3% do território nacional, a agricultura contribui com 6,9% no PIB (dados de 2019).
Culturas temporárias mais comuns:
- Milho;
- Trigo;
- Arroz;
- Centeio;
- Aveia;
- Cevada;
- Triticale;
- Batata.
Culturas temporárias industriais mais comuns:
- Tomate;
- Girassol.
Culturas permanentes mais comuns:
- Olival;
- Vinha;
- Citrinos.
Patagens permanentes em Portugal
A terreno ocupado pelas pastagens permanentes passou de 20% para 51% em trinta anos.
Houve uma troca de posição com as terras aráveis.
Há uma relação direta com a produção animal
Hortas familiares em Portugal
O território ocupado equivale a 1%.
Há maior destaque em Trás-os-Montes e na Beira Litoral.
Produção animal em Portugal
A produção animal organiza-se em pecuária intensiva (criação de gado em estábulos e alimentados a ração) e extensiva (criação de gado que, pelo menos uma parte do ano, é em pastagem - regime de pastoreio).
Esta abrange cinco grandes grupos:
- Bovinos;
- Suínos;
- Ovinos;
- Caprinos;
- Aves.
1 - Bovinos
Há cerca de 50 mil explorações.
1.600.000 cabeças, em que 60% estão em regime extensivo.
Dois terços das vacas são leiteiras.
Predominantes no Alentejo, Entre Douro e Minho e nos Açores.
2 - Suinos
Há cerca de 50 mil explorações.
2.100.000 cabeças.
Predominantes no Alentejo, Ribatejo e Oeste e Beira Litoral.
3 - Ovino
Há cerca de 50 mil explorações.
2.270.000 cabeças.
Predominantes no Alentejo e na Beira Interior.
4 - Caprinos
Há cerca de 30 mil explorações.
350.000 cabeças.
Predominantes no Alentejo, Beira Interior e Beira Litoral.
5 - Aves
Há cerca de 160 mil explorações, o que corresponde a 53% de todas as explorações animais em Portugal.
337.699.000 cabeças.
Predominantes na Beira Litoral, Ribatejo e Oeste e Entre Douro e Minho.
Produção florestal / Silvicultura em Portugal
A produção florestar tem vindo a diminuir, devido à sua conversão para uso urbano ou pastagens.
O pinheiro bravo, o sobreiro e o eucalipto são as espécies dominantes.
Os Principais problemas da produção florestal são:
- A má gestão dos povoamentos florestais;
- Práticas agrícolas incorretas;
- Atitudes negligentes;
- Práticas criminosas.
- Destróiem a riqueza nacional;
- Dificultam a regeneração das florestas;
- Aumentam do risco de degradação dos solos;
- Aumentam do risco de alterações climáticas.
As debilidades do setor agrícula
Este setor enfrenta sérias dificuldades, em consequência de:
- Variações climáticas;
- Bons e maus anos agrícolas;
- Quebras de rendimento;
- Falta de apoios.
Deficiências estruturais
Não só resultam de condicionantes naturais:
- Irregularidades do relevo;
- Irregularidades das precipitações;
- Pobreza e pouca profundidade dos solos.
Mas também resultam de condicionantes humanas:
- Densidade demográfica;
- Envelhecimento populacional;
- Partilha das terras por herança;
- Reduzida dimensão das explorações agrícolas;
- Excessiva fragmentação e dispersão das parcelas.
As deficiências estruturais refletem-se nos níveis de rendimento e de produtividade.
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